Teerã - O maior partido reformista do Irã, a Frente Iraniana de Participação Islâmica, afirmou ontem que os ultraconservadores ligados ao presidente Mahmoud Ahmadinejad sofreram uma “decisiva derrota” nas eleições de sexta-feira, em razão de seus métodos “ineficientes e autoritários”.
Embora os resultados não sejam ainda definitivos, os indícios são desfavoráveis a Ahmadinejad, que transformou o anti-semitismo em retórica oficial do Estado, defendeu que Israel seja “varrido do mapa” e aprofundou seu país num programa nuclear que o expôs a sanções das Nações Unidas. Nas eleições locais de Teerã, por exemplo, a chapa liderada por Parvine Ahmadinejad, a irmã do presidente, obtém por enquanto de três a quatro das 15 cadeiras disputadas.
O grande vitorioso, na Capital, foi o atual prefeito, Mohammad Baqer Qalibaf, um conservador moderado, rompido com Ahmadinejad, que obteve sete cadeiras. O atual presidente, eleito no ano passado, tem em Teerã, da qual também foi prefeito, suas bases eleitorais. O porta-voz do governo, Gholamhossein Elham, disse ontem que o presidente não tinha candidatos e ficará satisfeito em governar com os eleitos.
Analistas políticos afirmam que o resultado enfraquece Ahmadinejad, mas não terá impacto imediato na política interna, na qual o líder supremo da hierarquia xiita, aiatolá Ali Khamenei, continuará a dar a palavra final. Além dos cargos municipais - 100 mil, disputados por 250 mil candidatos -, os eleitores também elegeram a Assembléia de Especialistas, destinada a assessorar o líder supremo. O voto não é obrigatório, e estima-se que compareceram 60% dos 46,5 milhões de eleitores.