Bagdá - O Crescente Vermelho iraquiano suspendeu suas operações em Bagdá depois do seqüestro de cerca de 30 pessoas de seus escritórios antentem, disse ontem um representante do grupo humanitário. “Suspendemos nossas operações em Bagdá até que todos os reféns sejam libertados”, disse Maazen Abdullah, secretário-geral do Crescente Vermelho Iraquiano. Segundo ele, 17 reféns foram libertados.
O Crescente Vermelho trabalha no Iraque com o Comitê Internacional da Cruz Vermelha (ICRC). Abdullah disse que só os escritórios da Capital pararam de funcionar.
Bagdá está sofrendo uma onda de seqüestros. A maioria é executada por grupos armados nos lados opostos do conflito entre a maioria xiita e os árabes sunitas.
Abdullah disse não saber por que os funcionários da organização foram capturados. O escritório do Crescente Vermelho é identificado pelo símbolo da organização. “Os funcionários do Crescente Vermelho Iraquiano fornecem uma ajuda vital a todos os iraquianos que precisam. Eles o fazem com dedicação e humanidade. Devem ser respeitados e apoiados, e não prejudicados”, disse o diretor de operações do ICRC, Pierre Kraehenbuehl, num comunicado.
O Crescente Vermelho Iraquiano é a única agência humanitária do país a atuar nas 18 Províncias. O grupo tem 1.000 funcionários e 200 mil voluntários.
“Calamidade”
O novo secretário da Defesa dos EUA, Robert Gates, assumiu ontem o cargo, em substituição ao polêmico Donald Rumsfeld, afirmando que compreende o desejo popular de retirar os soldados americanos do Iraque, mas alertou que um fracasso no Oriente Médio será uma “calamidade” que assombrará os EUA durante décadas.
“Todos nós queremos achar um caminho para trazer os filhos e filhas americanos de volta para casa. Mas, como o presidente (Bush) deixou claro, nós simplesmente não podemos permitir um fracasso no Oriente Médio”, disse Gates. “Um fracasso no Iraque, na atual conjuntura, seria uma calamidade que assombraria a nossa nação, empanaria nossa credibilidade e colocaria americanos em risco durante décadas.”
O ex-diretor da CIA (agência de inteligência dos EUA), de 63 anos, reconheceu durante a sabatina no Senado, há duas semanas, que os EUA não estavam vencendo a guerra no Iraque. A declaração causou polêmica, o que levou Gates a acrescentar que o país tampouco estava perdendo a guerra.
Durante a cerimônia de posse, no Pentágono, o presidente George W. Bush voltou a enfatizar o papel dos EUA na contenção do terrorismo. “Somos uma nação em guerra. E eu confio em nosso secretário da Defesa para me dar os melhores conselhos e ajudar nos Forças Armadas em sua luta contra os inimigos da liberdade”, disse Bush. “Bob Gates é o homem certo para assumir este desafio.”
A pressão para que a Casa Branca mude sua estratégia no Iraque aumentou com a divulgação de um relatório preparado por uma comissão bipartidária, que recomendou uma redução gradual do papel do Exército americano no Iraque até 2008, com o objetivo de preparar uma futura retirada.