De uns tempos para cá, fala-se muito no Brasil sobre atitudes republicanas, em diálogos republicanos ou não. Afinal, o que é isso? Os princípios capitais da República no mundo ocidental foram herdados da Revolução Francesa. Até hoje, “Liberdade, Igualdade e Fraternidade” constituem o tripé que sustenta os fundamentos republicanos nas democracias ocidentais. Liberdade de imprensa, liberdade de expressão, de pensamento, de religião, liberdade do exercício da própria sexualidade, liberdade do corpo, liberdade de ir e vir. São, em meio às outras, as principais liberdades do homem atual. Liberdade das quais mal nos damos conta quando a democracia funciona, mas que faz uma falta danada quando somos extorquidos dela.
Igualdade é a segunda aquisição. Igualdade de todos diante da lei, aniquilamento de privilégios e de fóruns distintos. Fim da história de que uns são mais iguais do que outros. Igualdade de ensejo, de acesso, de conquistas, de progresso. Na República presente, os cidadãos desempenham absolutamente seus direitos e cumprem universalmente suas obrigações, sem privilégio.
Fraternidade é a terceira captação. Fraternidade entre os povos. Fim das guerras, dos massacres e da subversão. Tolerância com os dessemelhantes, estes porém, alvitre ser o mais intrincado pilar da República. Até hoje a humanidade se aniquila, em conflitos presididos sobretudo pela ignorância, estupidez e arrogância. Mas República quer dizer, ao mesmo tempo, separação incondicional entre Estado e Igreja. Isolamento irrestrito entre o tesouro público e as contas bancárias dos governantes e de seus familiares. Serviço público, formado sobre o mérito. Atendimento ao cidadão sobre normas impessoais, fim do pistolão, do jeitinho ou do compadrio. Educação pública abundante e de qualidade. Poder Legislativo autônomo do Poder Executivo. Justiça a serviço do cidadão sem distinção. Enfim, falta muito ainda para o Brasil e outros países ditos civilizados serem uma República de verdade.
O autor, Henrique Matthiesen, é colaborador de Opinião