São José dos Campos - O papa Bento XVI reconheceu no sábado o segundo milagre do frei franciscano Antônio de Sant’Anna Galvão (1739-1822), o frei Galvão. Com isso, ele será o primeiro brasileiro nato a ser declarado santo pelo Vaticano. Madre Paulina, feita santa por João Paulo II em 2002, passou a maior parte da vida no Brasil, mas nasceu na Itália.
O milagre recém-aceito pela igreja só deve ser conhecido na quinta-feira, junto com a data e o local da canonização. Religiosos ouvidos pela reportagem esperam que o novo santo seja canonizado no Brasil, durante a visita do papa, em maio de 2007. “Seria uma alegria imensa”, diz a irmã Célia Cadorim, que defendeu o processo do frade no Vaticano.
O primeiro milagre do frade, feito beato em 1998, foi a cura de uma menina de quatro anos, em 1990. Ela estava internada com hepatite na UTI. O pediatra que a atendeu atribuiu a recuperação à ajuda divina. Segundo a família, ela ingeriu, no pior período da doença, pílulas supostamente milagrosas, feitas com papelotes nos quais, segundo receita herdada do frade, é inscrita uma frase de devoção à Virgem Maria.
A Igreja Católica coloca como requisito à santidade a realização de ao menos dois milagres, que devem ser comprovados em processo sem prazo de duração definido. Os primeiros documentos que pediam a canonização de frei Galvão, por exemplo, começaram a ser preparados em 1938. O frei nasceu em Guaratinguetá (177 km a noroeste de São Paulo) e fundou, na Capital, em 1774, o atual Mosteiro da Luz.