Ao ler o “Politicando”, no JC de 06/12/06, sob a epígrafe de “Rui Barbosa Analfabeto”, contado por Cirso Mendes Silveira, achei pertinente divulgar alguns fatos sobre sua vida. Rui Barbosa tinha um Q.I. invejável. Causídico, célebre, erudito, facúndia no falar e no escrever, político (deputado provincial, senador e ministro da Fazenda), jornalista, escritor, jurisconsulto, de uma honestidade ímpar. Bacharelou-se em 1870, aos 21 anos, na Faculdade de Direito de São Paulo (Largo São Francisco).
Em 1893, por intransigência nos princípios constitucionais, na obediência aos atos legais, manteve acirrada campanha contra o governo de Floriano Peixoto, foi perseguido como rebelde e teve que se exilar em Londres. Lá irritou-se ao verificar que alguns ingleses cometiam erros crassos quando falavam ou escreviam a língua materna deles. Razão pela qual mandou colocar na porta de sua casa uma placa com os dizeres: “Ensina-se inglês para ingleses”.
Na II Conferência de Paz em Haia (Holanda - 1907), recebeu um comentário pejorativo por parte do porteiro da sala de entrada. Rui era tampinha e a porta já era muito alta para pessoas de estatura elevada. Disse então o porteiro: “Uma porta tão grande para um homem tão pequeno”. Durante a conferência Rui defendeu ardorosamente suas idéias perante seus pares, além de responder a muitos em várias línguas: inglês, francês, espanhol, alemão e italiano.
O mesmo porteiro, vencido pelo brilhantismo e sapiência daquele baiano arretado, admitiu humildemente seu engano, dizendo: “Uma porta tão pequena para um homem tão grande”. Rui foi considerado o homem mais inteligente do Brasil em seu tempo. Daí porque ficou, “ipso facto”, conhecido pela antonomásia que serve de título para este texto.
Gilberto Sidney Vieira - professor RG 3.476.358-2