Nacional

Lula mantém Bastos até o fim de janeiro

Por Eduardo Scolese e Pedro Dias Leite | Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

Brasília - Numa sinalização de que deixará para fevereiro de 2007 a troca da maioria de seu primeiro escalão, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pediu ontem ao ministro Márcio Thomaz Bastos (Justiça) que fique no cargo até o final de janeiro.

Bastos acatou o pedido, mas manteve claro o desejo de deixar o governo petista, assim que Lula definir seu substituto. Tarso Genro, ministro das Relações Institucionais, e Sepúlveda Pertence, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), são os mais cotados para a pasta.

Na cerimônia de sanção de projetos da reforma do Judiciário, Lula fez questão de elogiar publicamente Bastos por sua atuação à frente do Ministério da Justiça (leia texto). Diante da pergunta sobre o que fará quando deixar o ministério, Bastos disse: “Vadiar um pouco. E depois, advogar, mas, assim, de leve”. Segundo ele, o motivo do adiamento de sua saída - prevista inicialmente para o final deste mês- se deve à intenção de Lula de só fazer modificações na área da Justiça em janeiro.

Segundo Tarso, o presidente poderá anunciar apenas dois ou três nomes neste ano, deixando o restante para fevereiro. “É provável que tenhamos dois ou três ministros até o dia 31 e depois, em fevereiro, a montagem do governo”, disse. A espera por fevereiro é estratégica ao presidente. Passadas as eleições da Câmara e do Senado, Lula poderia montar seu time já ciente da real fidelidade e da força dos partidos da coalizão e com a chance de compensar partidos derrotados e excluir siglas vitoriosas nas disputas do Congresso. Por exemplo: caso Aldo Rebelo (PC do B) seja reconduzido à Mesa da Câmara, Lula deixaria os comunistas num segundo plano na disputa por mais cargos. Além disso, o presidente encontra dificuldades para montar o primeiro escalão.

Nas últimas semanas, deixou de lado as conversas políticas por conta da preparação de um pacote de medidas para incentivar o crescimento da economia. Outra dificuldade é preencher os cargos contemplando os desejos dos partidos que formam a chamada “coalizão” de seu segundo governo. Na prática, Lula tem em mãos 34 cargos com status de ministério para distribuí-los entre dez partidos -PT, PMDB, PSB, PC do B, PRB, PR, PDT, PTB, PV e PP.

Os presidentes desses partidos integram o chamado conselho político do governo federal. As contas não fecham. O PT, que hoje ocupa 16 desses 34 cargos, diz que não admite perder espaço. PP e PC do B, atualmente com uma pasta cada um, deixam claro que desejam ampliar seus espaços. O PMDB quer pelo menos cinco pastas -atualmente ocupa três.

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‘Republicano exemplar’

Brasília - No dia em que anunciou que o ministro Márcio Thomaz Bastos (Justiça) deve permanecer no cargo até janeiro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) fez rasgados elogios ao colega, a quem chamou de “republicano exemplar” durante a cerimônia de sanção dos projetos de lei que regulamentam mudanças no Judiciário.

Segundo o presidente, “poucas vezes no Brasil nós tivemos um ser humano com a vontade de fazer as reformas do Judiciário que teve o ministro Márcio Thomaz Bastos”. Lula explicou que quis homenagear Bastos -"um republicano de corpo, alma e de comportamento”- por sua postura com relação, sobretudo, à proposta da súmula vinculante - que determina que uma decisão tomada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) deve ser seguida por instâncias inferiores do Poder Judiciário, que perdem poder de decisão.

“Todo mundo aqui sabe que o Márcio tinha objeção, não era contra, tinha objeção à súmula vinculante. Entretanto, como grande republicano que é, ele não criou um único obstáculo para que as coisas acertadas entre nós fossem impedidas de ser votadas”, disse Lula. Além da súmula, também foram sancionados os projetos de informatização do processo judicial e a regulamentação dos mandados de segurança coletivos.

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