Cascavel - Um carcereiro e um preso morreram e outros dois agentes penitenciários foram baleados durante rebelião ontem na cadeia pública de Foz do Iguaçu (637 quilômetros de Curitiba, PR). Até às 19h de ontem, a rebelião não havia acabado, e pelo menos três pessoas eram mantidas reféns.
O motim teve início por volta das 10h30, após um preso simular que estava ferido. Os agentes foram surpreendidos por detentos armados. Ao tentar ajudar o preso, o carcereiro César Matjy foi atingido na cabeça por dois tiros e está internado em estado grave.
O agente Alcindo Jacinto, 30 anos, também foi atingido na cabeça e morreu no local. Um terceiro agente, que não teve o nome revelado, também foi ferido pelos disparos. Vários presos também se feriram. O Hospital Costa Cavalcanti, de Foz do Iguaçu, informou que um preso baleado na rebelião morreu.
No início da tarde, o juiz Marcelo Dalla Dea, do Juizado Especial Criminal, começou a negociar com os rebelados. Os presos exigiram melhor alimentação e remoção de detentos. A cadeia tem capacidade para 350 presos, mas abrigava 770 quando começou a rebelião. Alguns presos também pediram a concessão de indulto de Natal para detentos com bom comportamento. O indulto, no entanto, já havia sido negado pela Justiça na semana passada e pode ser o principal motivo do motim. Como não houve acordo, os presos mantiveram a rebelião.
Até às 19h, um agente carcerário e pelo menos dois presos eram mantidos reféns. Mais de cem policiais civis e militares estavam no local. O carcereiro estava sob a mira de um revólver e um dos presos foi exibido pelos rebelados com o corpo coberto de sangue. A Polícia Civil não soube informar como as armas foram parar dentro do presídio. A Secretaria da Segurança Pública do Paraná informou que divulgará nota após o término da rebelião.
A Tropa de Choque da Polícia Militar chegou a invadir a cadeia no meio da tarde, mas não conseguiu pôr fim ao motim e recuou. Os detentos passaram a exigir a presença de um padre e de representantes da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). O fornecimento de água e energia elétrica foi cortado. Policiais de Curitiba foram deslocados para a cadeia no final da tarde para tentar encerrar a rebelião. Parte do presídio foi destruída.