Brasília - O vice-diretor do Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea), brigadeiro Ramón Borges Cardoso, admitiu ontem que problemas nos radares na região de Brasília vêm provocando a aparição de 30 aviões “fantasmas”, em média, nos consoles dos controladores de tráfego aéreo diariamente. O problema, que a Aeronáutica sempre negou ocorrer, deve ser resolvido em breve, de acordo com o militar.
Os “alvos falsos”, no jargão militar, apareceriam ao lado das imagens de aviões reais por breves períodos (de 30 segundos a um minuto). Seriam causados por interferência meteorológica ou pelo uso da mesma freqüência por dois radares diferentes. Isso ainda está sob investigação da Aeronáutica. Esses “aviões fantasmas” não são o primeiro problema identificado nos equipamentos de controle do tráfego aéreo do Centro Integrado de Defesa Aérea e Controle do Tráfego Aéreo (Cindacta-1).
No dia 5, a central de áudio teve uma pane, provocando a suspensão das decolagens em três dos principais aeroportos do país -Brasília, Congonhas e Confins (MG). A pane levou a Aeronáutica a montar um sistema de reserva para o caso de falhas na central principal. A ausência de um “backup” para a eventualidade de panes foi descrita como um “erro de concepção” pelo brigadeiro durante audiência pública na Câmara dos Deputados. Aos congressistas, o militar pediu um orçamento da ordem de R$ 600 milhões para 2007. “Se for menor do que isso, não teremos a velocidade suficiente para trocar os equipamentos que precisam ser trocados.”
O Orçamento do ano que vem prevê R$ 530 milhões para o controle do espaço aéreo. Pane de áudio O brigadeiro divulgou ontem que a Aeronáutica já vem instalando centrais de áudio auxiliares, com baterias próprias e ligação independente, para o caso de novas panes.
Em Brasília, um equipamento novo precisou ser trocado devido a uma “falha elétrica” descrita pelo brigadeiro como um curto. Resolvidos os problemas de recursos e equipamentos, faltaria a formação de novos controladores. “Nós estamos com o pessoal mais ou menos como um time de futebol. Temos 11 jogadores, se alguém se machucar não temos reserva”, descreveu o brigadeiro.