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PIB soma R$ 542 bi no 3º trimestre

Por Clarice Spitz | Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

Rio - O Produto Interno Bruto (PIB), soma das riquezas produzidas por um País brasileiro totalizou R$ 542,1 bilhões no terceiro trimestre deste ano, segundo dados divulgados ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Entre janeiro e setembro, o PIB alcançou R$ 1,529 trilhão. Em termos percentuais, a economia brasileira registrou uma expansão de apenas 0,5% no terceiro trimestre e confirmou um ano de fraco desempenho econômico.

No segundo trimestre, o PIB tinha somado R$ 508,7 bilhões. No terceiro trimestre de 2005, alcançou R$ 497,3 bilhões. Entre julho e setembro, o consumo das famílias significou R$ 290,5 bilhões, segundo o IBGE. Os investimentos representaram R$ 112,4 bilhões e o consumo do governo somou R$ 105,5 bilhões. Os impostos foram responsáveis por R$ 56,8 bilhões.

Na análise por setores, a indústria contribuiu com o equivalente a R$ 200,5 bilhões. Já a agropecuária e os serviços somaram R$ 34,4 bilhões e R$ 275,2 bilhões, respectivamente. A taxa de investimento correspondeu a 20,8% do PIB no terceiro trimestre. Trata-se da segunda maior taxa da série histórica, iniciada em 1995. A maior foi registrada no terceiro trimestre de 2004 (20,9%).

No mesmo período do ano passado, havia sido de 20,4% do produto (as comparações são feitas entre terceiros trimestres). Já a taxa de poupança chegou a 25,2% do PIB, também a segunda maior da série histórica, menor apenas que o terceiro trimestre de 2004 (25,4%). Em relação ao terceiro trimestre do ano passado, houve uma alta de 0,9 ponto percentual.

Metodologia

O PIB é a soma dos bens e serviços produzidos por um país. É formado pela indústria, agropecuária e serviços. Ele mostra o comportamento de uma economia. O PIB também pode ser analisado a partir do consumo, ou seja, pelo ponto de vista de quem se apropriou do que foi produzido. Nesse caso, o PIB é dividido pelo consumo das famílias, pelo consumo do governo, pelos investimentos feitos pelo governo e empresas privadas e pelas exportações.

CNI

O crescimento da economia em 2007 ficará bem abaixo do desejado pelo presidente Lula, que é de 5%, ao menos na previsão divulgada ontem pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). A entidade prevê um aumento do Produto Interno Bruto de 3,4% no ano que vem. Para este ano, a projeção foi revisada de 3,7% para 2,7%.

Para a CNI, a taxa de investimento, de cerca de 20%, é baixa para o País atingir um crescimento maior. Além disso, impedem o crescimento a valorização do real frente ao dólar e a expansão do gasto público. “O maior entrave ao crescimento acelerado, contudo, encontra-se na forte e contínua expansão do gasto público. Em 2006, o aumento vai ser o dobro do PIB, sem que o investimento público tenha aumentado”, avalia a entidade no documento “Economia Brasileira - Desempenho e Perspectivas”, divulgado ontem.

O ano que vem será marcado pelo crescimento acelerado. A ausência de transformações estruturais, que garantiriam o aumento do investimento e maior produtividade, tornará mais difícil o crescimento expressivo no curto prazo. A CNI prevê que a indústria terá um crescimento de 4,2% no próximo ano. A agropecuária vem em seguida, com 4%. Já o setor de serviços terá um incremento de 2,4%.

Pela ótica da demanda, a projeção para a taxa de investimento é de 9,2%, de 3,7% para o consumo das famílias e de 1,7% para o consumo do governo. A contribuição do setor externo será negativa, já que o crescimento das importações será maior que o das exportações -15,2% contra 5,7%. A CNI destaca ainda que o crescimento das exportações será mantido pelo aumento dos preços, e não pelo maior volume exportado.

O investimento não foi mais dinâmico porque os empresários não vêem o aumento do consumo como permanente. “Se sustentou, em grande parte, por transferências de renda do governo, o que tem fôlego curto.”

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