A diretoria regional do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) de Bauru, por meio do Conselho de Desenvolvimento Regional (Coder), solicitou à diretoria da Faculdade de Engenharia da Unesp que seja feito um estudo com o objetivo de indicar o tipo de mercadoria mais viável para o transporte aéreo na região. O pedido foi feito após o Daesp divulgar que vai habilitar o novo aeroporto de Bauru para o transporte internacional de cargas.
Conforme divulgado pelo Jornal da Cidade no dia 8 deste mês, o objetivo do Departamento Aeroviário do Estado de São Paulo (Daesp) é concluir o processo ainda em 2007, o que permitirá vôos não regulares para as empresas transportarem cargas. Entretanto, o órgão ainda depende de um parecer da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para solicitar à Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) a habilitação.
De acordo com o diretor da Faculdade de Engenharia da Universidade Estadual Paulista (Unesp), Jair Manfrinato, a estimativa é de que demore entre seis meses e um ano para o estudo ser concluído. Cerca de dez alunos dos cursos de graduação e pós-graduação de engenharia de produção formam a equipe de pesquisadores. Entre eles, alguns fazem o curso de especialização em logística.
“O estudo vai demandar um bom tempo, porque nós vamos analisar a demanda de cidades num raio de até 100 quilômetros de Bauru. O objetivo é fazer um diagnóstico das mercadorias produzidas em maior quantidade na região para, então, analisar a viabilidade de utilizar o transporte aéreo”, observa o professor, que também é membro do Ciesp.
Semijóias
Conforme ele mesmo antecipou na matéria publicada pelo JC no último dia 8, produtos do agronegócio, como verduras e frutas, e de alto valor agregado são cargas totalmente adequadas ao transporte aeroviário. Somam-se a estes as semijóias e implantes dentários, por exemplo.
“O transporte aéreo é ideal para produtos de alto valor agregado e para perecíveis. No caso das semijóias, por exemplo, é incabível transportar num contêiner (pelo tamanho). Além disso, num navio a carga poderia demorar 30 dias para chegar ao destino, o que elevaria demais o custo do transporte. Já as verduras são de baixo valor agregado, mas precisam chegar rápido ao destino para não estragar”, detalha Manfrinato.
No caso de carnes semi-congeladas, ele destaca que frigoríficos da região utilizam o transporte aéreo também em função da necessidade de que o produto chegue rapidamente ao seu destino final. “As empresas têm enviado as mercadorias a partir do aeroporto de São Paulo (Congonhas) ou de Campinas (Viracopos)”, acrescenta.
Manfrinato ressalta, ainda, que quando o novo aeroporto de Bauru estiver habilitado para o transporte de cargas também beneficiará empresas que precisam importar mercadorias. “Se o avião sai cheio daqui, é bom que volte cheio também. Após esse estudo que está sendo feito agora, poderá ser realizado um levantamento visando apenas as importações”, comenta.
Para o transporte de cargas, o Daesp prevê a necessidade de ampliação da pista do novo aeroporto. A estimativa é de investimento da ordem de R$ 8 milhões para ampliá-la dos atuais 2.100 metros para 2.700 metros.