Polícia

Policiais armados na Delegacia da Mulher despertam a atenção

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 2 min

O aparato policial, formado por cerca de cinco viaturas com sirenes ligadas e 15 homens armados, surpreendeu quem transitava no início da tarde de ontem pela rua Araújo Leite, na altura da Delegacia de Defesa da Mulher (DDM). A aparente operação de guerra da Polícia Civil, no entanto, tinha a simples a missão de conter um marido indignado com o pedido de separação feito pela mulher.

O caso saiu do comum porque até o trânsito foi desviado nas imediações. Porém, quando os policiais chegaram, o rapaz já havia sido contido, informa a titular pela DDM, Marilda Pansonato Pinheiro. Ela explica que o casal passou a discutir dentro da delegacia - onde estavam com os filhos, um menino de 8 meses e uma menina de 3 anos.

A intensidade do bate-boca surpreendeu quem aguardava no local. Uma mulher, que pediu para ter o nome preservado, disse ter até passado mal. Já para um advogado, o exagero partiu da polícia. O erro do rapaz seria não medir as palavras - nem o tom usado para proferi-las - dentro da delegacia. Por causa da discussão, as funcionárias pediram que ele ficasse do lado de fora do prédio, mas ainda assim ele não se aquietou.

A delegada Cássia Regina Cancian Machado solicitou, então, que ele seguisse para os fundos do prédio. A orientação não só foi rejeitada, como ele se agarrou a um pilar situado na entrada do imóvel, de onde dizia não sair mais. Foi então que funcionárias da delegacia dirigiram-se até ele para contê-lo e levá-lo para o interior da delegacia. Tiveram sucesso.

Mas por ser novo e forte, Cássia considerou mais adequado solicitar apoio dos colegas da Polícia Civil. De acordo com a delegada, quando o rapaz é de baixa estatura, a contenção é feita diretamente por funcionárias da DDM. Ontem, por exemplo, pouco antes da “operação”, um rapaz tentou suicídio em frente à delegacia por também não aceitar separar-se da mulher.

Jogou-se em meio ao tráfego da rua Araújo Leite e, por pouco, não foi atropelado. Neste caso, foi facilmente contido. Dramas e confusões à parte, a esposa do rapaz responsável por toda a movimentação policial na DDM estava irredutível: disse que vai mesmo separar-se. Quer voltar a trabalhar e a sair sozinha de casa, duas iniciativas proibidas pelo marido, com quem é casada há seis anos.

A situação, assim como os conflitos registrados na delegacia, é considerada corriqueira tanto por Marilda quanto por Cássia.

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