Londres - O primeiro-ministro britânico, Tony Blair, pediu ontem, em discurso no Oriente Médio, que os países da região se unam contra as “forças do extremismo” do Irã para ajudar a avançar o processo de paz. Falando em uma conferência em Dubai (Emirados Árabes), última escala de sua viagem à região, Blair disse que o mundo precisa despertar para a batalha ideológica entre moderados e extremistas, classificada como “o desafio deste século”.
Segundo o premiê britânico, o Irã apóia abertamente o terrorismo no Iraque, age para desestabilizar o governo do Líbano e bloqueia o processo de paz entre palestinos e israelenses. “Devemos reconhecer a ameaça estratégica que é o governo do Irã; não sua população, possivelmente nem todos os líderes, mas aqueles que são responsáveis pelas políticas do país”, disse Blair.
A crítica é dirigida ao presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, que se opõe à existência de Israel e continua desenvolvendo o programa nuclear do país, mesmo sob pressão contrária dos EUA e do Reino Unido. O governo iraniano reagiu às declarações de Blair afirmando que elas são motivadas pelo ódio e coerentes com “a intervenção destrutiva” do Reino Unido em questões regionais.
“A abordagem negativa e desarmonizadora da Grã-Bretanha e as atitudes belicistas e políticas unilaterais de Bush e Blair já causaram tensão e extremismo na região e fizeram com que as pessoas abominem suas políticas”, disse o ministro das Relações Exteriores do Irã, Mohammad Ali Hosseini. Blair, alvo de críticas pela aliança com os EUA, rejeitou a tese de que suas ações sejam responsáveis pelo terrorismo.