Controlar os gastos no fim do ano é uma tarefa difícil para a maioria das pessoas. Mas a tentativa é ainda mais complicada para quem tem filhos pequenos. Satisfazer o desejo das crianças, em muitos casos, significa extrapolar o orçamento e, conseqüentemente, contrair dívidas.
É o caso da dona de casa Adriana Bernal, que terá de gastar, no mínimo, R$ 150,00 para comprar um dos três presentes de Natal escolhidos pela filha Bianca, de 5 anos.
“Ela está em dúvida entre uma piscina de R$ 400,00, um fogão de brinquedo que custa R$ 300,00 e um tênis de R$ 150,00. Como não posso dar tudo, ela terá de optar por apenas um. Mesmo assim, o valor vai fugir do meu orçamento”, destaca a mãe.
A situação vivida pela dona de casa é comum entre muitos pais, segundo lojas especializadas em brinquedos. “A criança chega certa do que quer levar. Se o pai pode ou não comprar, ela não abre mão do presente”, comenta a empresária Sônia Kazuko Tajima, proprietária de uma casa especializada em brinquedos no Centro de Bauru.
Em seu estabelecimento, a pista de corrida da “Hot Wheels” está entre os presentes mais caros - e também mais procurados. Custa R$ 300,00 e, conforme Tajima, a venda tem sido satisfatória apesar do preço. “Estamos vendendo muito bem”, comemora.
Em muitos casos, o valor do presente escolhido pela criança chega a ser equivalente a três salários mínimos, quantia que supera o rendimento mensal de grande número de famílias. Mas quem acha que esses brinquedos encalham nas gôndolas, engana-se.
“O pai até tenta convencer o filho a mudar de idéia. Mas na maioria das vezes, a tentativa fracassa. O jeito é comprar. Para se ter uma idéia, está quase esgotada uma boneca que estamos vendendo por R$ 800,00”, descreve Carlos Eduardo Martha de Oliveira, dono de uma loja de brinquedos em Bauru.
De acordo com ele, a maioria dos clientes opta pelo plano parcelado de pagamento, apesar dos 10% de desconto nas compras à vista. Entre os presentes mais requisitados pelo público infantil, segundo o empresário, estão a moto elétrica, que custa entre R$ 600,00 e R$ 1 mil, os autoramas, que variam de R$ 400,00 a R$ 1 mil, e o notbook infantil, de R$ 300,00. “Embora o preço seja alto, esses itens estão saindo bastante. Na verdade, os pais procuram satisfazer a vontade dos filhos no Natal”, avalia Oliveira.
Contudo, segundo orientam economistas e especialistas, é preciso pechinchar antes de comprar. Evitar fechar o negócio logo na primeira proposta de preço, pode garantir uma economia considerável na carteira.