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Casos de leishmaniose sobem 66%

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 3 min

O ano ainda não acabou e o total de casos de leishmaniose em humanos registrado em Bauru chegou a 60, somando as quatro novas notificações divulgadas ontem pela Prefeitura de Bauru. O número é 66% superior ao de 2005, quando 36 pessoas contraíram a doença. E as previsões para 2007 não são as melhores. Ao que tudo indica, a curva de contágio da doença continuará ascendente no município.

A informação foi confirmada pelo veterinário Luiz Ricardo Paes de Barros, diretor do Centro de Controle de Zooneses (CCZ), órgão ligado à Secretaria Municipal de Saúde. Até porque o diagnóstico da leishmaniose está melhor, acrescenta Kátia Lopes Santoro Nakagaki, enfermeira-chefe da Seção de Doenças Transmissíveis da Secretaria de Saúde.

A partir de suspeitas médicas e exames encaminhados, o Instituto Adolfo Lutz, de São Paulo, enviou ao DSC, órgão da Secretaria Municipal de Saúde, a confirmação dos quatro novos casos de leishmaniose visceral americana em humanos. As novas vítimas são duas crianças e dois adultos.

Trata-se de um menino de 7 anos, morador da Vila Falcão, e uma menina de 4 anos, que vive no Núcleo Fortunato Rocha Lima, além de uma senhora de 54 anos, que vive no Jardim Bela Vista, e um rapaz de 19 anos, morador do Núcleo Edson Francisco da Silva (Bauru 16). Todos já estão em tratamento no Hospital Estadual (HE) de Bauru.

“Neste ano, a taxa de letalidade (da doença) está menor”, informa a enfermeira. Em 2005, das 36 pessoas que contraíram a doença, quatro morreram. O total de vítimas fatais neste ano é o mesmo, mas o número de casos notificados subiu para 60. Portanto, a taxa de letalidade caiu de 11% para 6,5%.

Para que a queda continue em 2007, a administração municipal espera nebulizar com inseticida alguns bairros considerados críticos por facilitarem a propagação do mosquito palha, transmissor da leishmaniose. Ele procria-se em material em decomposição. “É mais uma ferramenta de controle. Isoladamente, não resolve nada”, ressalta Cortez.

De acordo com o veterinário, o município, por lei, não pode adquirir o inseticida, que deve ser cedido pela Superintendência de Controle de Endemias (Sucen), desde que haja indicação técnica. Araçatuba, por exemplo, quando enfrentou a epidemia, utilizou o recurso.

Mas simultaneamente, acrescenta Cortez, devem ser implementados o manejo ambiental (para ajudar a reduzir material orgânico de terrenos e quintais), além da busca ativa de casos em animais e humanos nos bairros. A parceria da população no combate à doença é essencial, conclui o veterinário do CCZ e Nakagaki.

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Ranking

Com as suas 60 notificações em 2006, Bauru ainda ocupa a primeira colocação no ranking estadual de casos de leishmaniose. A cidade de Dracena esta na vice-liderança, com 36 casos. Birigüi desponta na 3.ª colocação com 18. Já Araçatuba, que foi líder por seis anos consecutivos, de 1999 a 2004, aparece em quinto lugar (16 notificações). Está atrás de Adamantina, com 17 casos.

No ano passado, Bauru assumiu o topo da lista, onde permanece. Araçatuba passou a perder posições após quatro anos de trabalhos ambientais, informou o titular da Secretaria Municipal de Saúde, Mário Ramos, numa entrevista anterior ao JC.

No entanto, conforme a reportagem também constatou anteriormente, Araçatuba formou um batalhão de mais de 150 funcionários para controlar a doença. A equipe seria superior a que trabalha atualmente de Bauru.

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