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‘Não se governa só com a razão’, diz Lula

Folhapress
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Brasília - Ao defender ontem a decisão de elevar o salário mínimo de R$ 350,00 para R$ 380,00 o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que não se pode governar só “com a racionalidade”, mas também com “sensibilidade”. Para Lula, o Brasil “certamente não sofrerá nenhum arranhão” porque a medida trará mais qualidade de vida à população e não inviabilizará o crescimento.

“Acho que não é possível governar o país apenas com a racionalidade das pesquisas e dos números. O Brasil já foi governado assim durante um século, e os resultados não foram os melhores. É preciso que a gente governe com a racionalidade, com a verdade dos números, com a realidade do país, mas é preciso que a gente tenha sensibilidade.”

O aumento foi um dos motivos para o adiamento do pacote encomendado por Lula para “destravar” a economia. O ministro Guido Mantega (Fazenda) defendia R$ 367,00 mas seu colega Luiz Marinho (Trabalho) negociou R$ 380,00 com os sindicalistas. “Ninguém sai enfraquecido ou fortalecido. Não tem equipe econômica. Não tem equipe produtiva. Tem um governo do qual eu sou o presidente, e eu decido as coisas. Ninguém ganha, ninguém perde”, disse o presidente.

Lula disse ter acabado o período em que se falava em crescer primeiro e depois dividir os benefícios. “Vamos distribuindo aos poucos e crescendo aos poucos de forma sólida.” Citou o ano de 1973, quando o PIB teria crescido 13,94% e o salário mínimo, caído 3,4% - na verdade, o crescimento foi de 13,97%, e o mínimo subiu naquele ano de Cr$ 268,80 para Cr$ 312,00.

Segundo Lula, não é possível admitir que o reajuste do mínimo “possa ser o motivo de o país não crescer”. “É importante lembrar que o povo que vai ganhar, vai comprar no dia seguinte comida, sapato, roupa. Esse dinheiro nunca será para compra em dólar, será para comida, produto brasileiro”, disse Lula, apesar de a indústria têxtil e calçadista ter perdido mercado para produtos da China.

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