São Paulo - “Agora, serei pai e mãe de minhas filhas”, disse ontem o transportador escolar Fábio Gomes Dorta, 27 anos, durante o velório de sua mulher, a gerente de caixa Luciana Michele de Oliveira Dorta, 27 anos. Única sobrevivente da chacina que matou uma família incendiada em Bragança Paulista (83 km de SP), há 12 dias, a gerente morreu ontem, depois de ajudar a polícia a prender os dois acusados pelo crime.
Com 70% do corpo queimado, seu estado de saúde começou a se agravar após uma cirurgia. Ela foi enterrada no cemitério da Saudade, em Bragança, por volta das 11h, diante de mais de 300 pessoas. Todas muito comovidas e, sobretudo, revoltadas. “O Brasil inteiro rezou por ela”, disse uma amiga da família.
Citada como heroína na denúncia da Promotoria contra os acusados - já aceita pela Justiça -, a gerente só sobreviveu ao incêndio porque rolou na grama para apagar o fogo que atingia seu corpo. Além disso, fingiu-se de morta para despistar os criminosos e ainda caminhou cerca de três quilômetros em busca de ajuda. Fez tudo isso amarrada e amordaçada.
Meninas
O casal teve duas filhas, que hoje estão com 4 e 9 anos. “É nessa idade que elas mais precisam da mãe, mas eu vou tentar passar a elas um pouco do que foi a Luciana. Ela vivia para essas meninas. Onde ela estiver, tenho certeza vai me dar forças para criá-las”, afirmou o marido.
Segundo ele, a filha mais nova ainda não entende o que aconteceu. Já a mais velha está revoltada e não quis ir ao funeral da mãe. Ele ainda não sabe se vai continuar em Bragança, cidade onde nasceu e onde conheceu Luciana. Quando se casaram, ela tinha 17 anos e ele, 18 anos. Recentemente, o financiamento de uma casa para a família - que vivia de aluguel - foi aprovado.
O crime
Após um assalto à loja Sinhá Moça, onde Luciana trabalhava, o carro onde estava as vítimas foi incendiado. O casal Eliana Faria da Silva, 32 anos, e Leandro Donizete de Oliveira, 31 anos, morreu na hora. O filho deles, Vinícius, 5 anos, morreu dois dias depois. Ontem, a irmã de Eliana, Magali, e o marido dela, Wilson da Silva, estiveram no velório. “É mais uma família destruída”, disse Silva. O serralheiro Joabe Ribeiro, 36 anos, e o eletricista Luís Fernando, 37 anos, estão presos. Eles confessaram o crime.