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Tirando o trenó do buraco


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Há um ano, vi publicado meu primeiro artigo nesta coluna. Falava de uma visão que tive nas ruas de Bauru, de um Papai Noel que, na verdade, era um menino vestido de vermelho empurrando um trenó que era um carrinho de coletar aparas de papel. Derivei dali um cutucão nas costelas do leitor, chamando-o à sua responsabilidade social. Nos artigos que escrevi ao longo do ano tentei manter essa tônica: convidar o leitor a algum tipo de reflexão.

Hoje pretendo escrever apenas uma crônica leve, afinal, no Natal, de pesado já bastam a ceia e o almoço. Para colher subsídios, andei fazendo a alguns amigos a clássica pergunta: você gosta dessa época de Natal? Claro que uns poucos responderam que acham uma chatice, mas esses foram a exceção. A maioria disse que gosta sim, inclusive aqueles que não professam religião definida e que sei serem críticos do próprio cristianismo. Ora, se não são cristãos (embora não sejam ateus), por que haveriam de gostar da celebração do nascimento de Cristo? Ficou-me a impressão de que a festa religiosa do Natal transmutou-se, para muitos (a maioria?) em festa popular, onde a alegria, a troca de afeto (e de presentes), o reencontro e a vontade de celebrar de cada um acabam por constituir um humor coletivo positivo (vibrações positivas como dirão os mais místicos) que predispõe à felicidade de cada um.

E aí fico preocupado com o futuro do Natal. Conheço uma outra festa popular, esta pagã, que no passado arrastava multidões às ruas de Bauru, depois foi confinada a um sambódromo e morreu de inanição. Hoje só a vemos como “show business” pela televisão.

É certo que o apelo comercial do natal é muito maior que o do carnaval e a própria mídia se encarrega de mantê-lo vivo nos comerciais e nas lojas decoradas. Mas, nesses tempos de emoções feitas de “bits” e “bites” assados no forno da internet, existe o risco de as novas gerações acabarem achando o natal apenas uma festa cafona que seus pais curtiam e que a magia que ainda existe acabe por esvaecer-se.

Então, caro leitor, vamos lá, é necessário que cada um de nós empurre o trenó do Papai Noel sempre que cair em algum buraco pelas ruas de Bauru, já que não temos neve para ele atolar. O que quero dizer é que precisamos manter vivo o otimismo que esta festa nos propicia e tirar daí uma lição de amor para os mais jovens que, no devido tempo, ensinarão também a seus filhos que existe um momento no ano em que juntamos todas nossas vibrações positivas e fazemos um guarda-chuva de felicidade onde cabe todo mundo.

Seja por convicção religiosa, ou apenas por curtir uma festa popular, espero que você tenha um feliz natal.

O autor, Eric-Édir Fabris, é engenheiro civil e colaborador da coluna Opinião - e-mail: eric@mstecnologia.com.br

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