São Paulo - No quarto dia de caos nos aeroportos, passageiros enfrentavam saguões lotados, tumultos e falta de informação nas principais capitais, enquanto o presidente da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), Milton Zuanazzi, dizia que a crise no setor aéreo estava “quase debelada”. Segundo ele, persistiam apenas “focos de problema” nos aeroportos de Brasília e do Rio de Janeiro, ligados à falta de tripulação.
No centro de São Paulo, ontem, depois de participar de um evento com catadores de papel, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a responsabilizar as empresas de aviação pelos problemas ocorridos nos aeroportos. Segundo ele, ocorreu a prática de overbooking - que consiste em vender mais passagens do que a empresa pode suportar.
O presidente não nominou as empresas. “Se as empresas (aéreas) venderem apenas as passagens que lotam os aviões que elas têm disponíveis, já ajuda muito. O que não dá é para passageiro ficar no aeroporto esperando um avião que não existe, um avião que não tem”, disse Lula. Até as 10h30 havia 300 vôos com mais de uma hora de atraso de um total de 675 previstos em todos os 67 aeroportos do País. Outros 14 foram cancelados.
A média de atrasos foi a mesma dos últimos três dias. Nos dois principais aeroportos de São Paulo, passageiros irritados chegaram a agredir funcionários da TAM, que em resposta abandonaram o trabalho por 10 minutos na manhã de ontem em Guarulhos. No retorno, alguns choravam. Atendentes da empresa diziam que, na madrugada, um passageiro arremessou um vaso contra uma funcionária.
No aeroporto internacional Tom Jobim, do Rio de Janeiro, a passageira Miriam Bezerra atacou um computador da companhia, destruindo-o. Foi detida por agentes da Polícia Federal (PF). O Sindicato Nacional dos Aeroviários já reivindica a contratação de seguranças para proteger os trabalhadores dos balcões dos aeroportos.
A Anac informou que havia aviões para realizar os vôos atrasados nos dois aeroportos, mas dizia que faltava pessoal em terra (pilotos e tripulação) para realizar o embarque. Para a agência, em São Paulo o problema está “quase resolvido”. “Estamos entrando no momento do fim da crise. Não faltam mais aeronaves”, disse Zuanazzi, em entrevista na sede da agência em Brasília.
Sem controle
A Anac afirmou que a TAM “perdeu o controle” da gestão de sua malha. “A origem dessa crise é que a TAM tinha passageiros, mas não aviões suficientes”, disse Zuanazzi. No total, a TAM precisou utilizar sete aviões da Força Aérea Brasileira (FAB) além de outros sete aviões da Nova Varig, BRA, Ocean Air e Total Linhas Aéreas. A frota doméstica da TAM é de 85 aeronaves. A Anac afirmou que 75 estão em operação.