São Paulo - Nos dois principais aeroportos de São Paulo, a situação continuou caótica nos balcões da TAM - tanto em Congonhas como em Cumbica -, com passageiros cada vez mais irritados chegando a agredir funcionários da empresa, que em razão disso interromperam o atendimento e abandonaram o trabalho por 10 minutos na manhã de ontem em Guarulhos - a mesma atitude foi tomada em Brasília.
Por volta das 10h15, uma funcionária da TAM, do balcão de check-in em Cumbica (Guarulhos), foi agredida fisicamente por um passageiro. Nesse momento, os funcionários da empresa que trabalhavam no local deixaram seus postos. Eles afirmavam que se tratava da terceira agressão desde a noite de anteontem e que, de madrugada, um passageiro chegou a arremessar um vaso contra uma funcionária. Depois de dez minutos os funcionários retornaram - alguns chorando.
Em diversas oportunidades, disseram que estão sob estresse e sobrecarregados, chegando a trabalhar de dez a doze horas ininterruptas. Sobre isso, a TAM afirma que está providenciando “equipes extras para render os funcionários estressados pela situação atípica que vêm enfrentando.” Pouco depois do retorno dos funcionários, por volta das 10h45, o comerciante José Roberto Issa Cheda foi até a frente do guichê da TAM e, aos gritos, disse que a situação era “uma vergonha’’. Pediu aos passageiros que entrassem com uma ação coletiva contra a empresa. Foi aplaudido.
A fila no guichê da TAM tinha aproximadamente 400 metros. Às 11h, eram 12 vôos atrasados em Cumbica, sendo 11 da TAM e um da BRA. Também o saguão do aeroporto de Congonhas (zona sul de SP) voltou a ficar repleto de passageiros trombando carrinhos com bagagem, em filas quilométricas e discutindo com funcionários das companhias aéreas -principalmente os da TAM - por conta dos atrasos nas partidas dos vôos.
O balcão para o check-in da Gol também estava caótico pela manhã. Em sinal de protesto, um passageiro circulou pelo aeroporto com um cartaz responsabilizando o presidente Lula pela situação. A pressão sobre os funcionários também acabou gerando problemas por lá.
Ao tentar agilizar a liberação de bagagens, um funcionário da Gol prendeu o pé esquerdo num vão entre as esteiras de rodagem. Foi preciso que o equipamento fosse desligado para que ele pudesse ser atendido e levado, com o pé bastante inchado, ao posto de primeiros socorros em Congonhas.