O fato de o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ter atingido um ápice de 61% de aprovação de seu primeiro mandato não significa, cartesianamente, que seu governo finalmente esteja dando certo, como alguns petistas querem nos convencer. Questões complexas e exemplos históricos devem ser observados. Um fator quase fundamental para a aclamação popular, sem dúvida, é o crescimento ou a recuperação da economia. Bill Clinton, nos Estados Unidos, Carlos Menem, na Argentina e Fernando Henrique Cardoso são exemplos de homens públicos reeleitos pelos bons momentos econômicos de seus países. De um lado oposto, o caso de Hitler, na Alemanha da década de trinta, é emblemático. O ditador nazista perseguiu judeus, socialistas, liberais, ordenou assassinato de seguidores. Também implantou a censura, criou uma violenta polícia secreta, determinou a construção de campos de concentração.
Sua popularidade, entretanto, foi às alturas após alguns anos de governo. O principal motivo para tamanho sucesso foi o fim do alto desemprego. A economia alemã estava muito bem após taxas inimagináveis de inflação e arrocho financeiro.
Mas a tese da popularidade colada à economia não é absoluta nem válida para todas as nações. No final da década de 90, Nelson Mandela deixou o governo da África do Sul com a economia em situação mais delicada do que a encontrada quando assumiu. Mesmo assim foi coroado de êxito. A necessidade de liberdade do povo oprimido pelo apartheid foi maior do que eventuais benefícios materiais. Já o presidente Hugo Chávez, da Venezuela, atingiu o auge da popularidade quando resolveu enfrentar o desprestigiado Legislativo de seu país.
Além de não cumprir a promessa de resolver os problemas sociais, Chávez tentou implodir uma das mais longevas democracias da América Latina, indicando o autoritarismo como o caminho a seguir. Uma explicação para a subida dos índices do governo Lula é a vontade da população brasileira de que finalmente as coisas dêem certo. As pessoas se preocupam com seu dia-a-dia e querem a quase todo custo um futuro melhor. A esperança depositada no ex-metalúrgico reeleito presidente da República ainda é muito grande. Há, por parte da União, incompetência administrativa, aparelhamento do Estado, pouco investimento e padrão ético comprometido.
As estradas continuam esburacadas enquanto o crescimento do país não sai de no máximo um pífio 3%. As taxas de juros ainda estão entre as mais altas do mundo. A carga tributária continua asfixiante, 40,01% do PIB segundo o Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário. A máquina de propaganda maximiza uma elevação do PIB prevista para 2,75, enquanto outros países emergentes crescerão entre 6% e 8%. Lula propagou aos quatro cantos do país um crescimento de 5% este ano, mesmo quando todos os índices técnicios davam claras evidências de que esta meta seria inatingível.Os mais realistas arriscavam um crescimento de 3% e no entanto pelo terceiro ano consecutivo só o Haiti deve crescer menos que o Brasil na américa latina. Em breve Lula e o PT terão que “morder a língua”, pois sempre criticaram as políticas de privatizações e a cada dia fica mais evidente que o Brasil necessita com urgência realizar parte de seus investimentos via iniciativa privada, pois não possui recursos para bancar tudo isso sozinho.
As afirmações de Lula de que o Brasil irá crescer 5% no ano que vem, mas sem dizer como, tornou-se um dogma e um balizamento da sociedade. Os marcos regulatórios não encorajam os investimentos. As denúncias de irregularidades e corrupção de seus aliados e a sensação clara de impunidade, não são objeto de enérgicas providências. Pelo contrário. Esse é o quadro permanente. Transitórios são os índices apresentados pelo governo, produto apenas de expansão no uso da capacidade instalada do parque fabril. Faltam novos investimentos para realimentar e auto-sustentar o processo de crescimento do país. No caso do Brasil, parece que basta uma leve brisa para fazer o povo voltar a acreditar nos governantes.
Com um sopro contrário, tudo se acaba. A esperança é que a subida de popularidade do presidente também não descambe para medidas autoritárias. Infelizmente há sinais de fumaça, como no caso da suspeita de utilização de dinheiro da Petrobras para financiamento de campanha, de disciplinar as atividades dos jornalistas, de controlar a produção cultural e na irresponsabilidade para resolver o caos no sistema aeroviário do país. Que Lula ter andado anos atrás em carro aberto no Gabão ao lado do ditador Omar Gonbo Ondimba, há 40 anos no poder, suas amizades com Evo Moralles e Hugo Chávez e sua admiração pelo ditador cubano Fidel Castro não signifiquem nada.
Luiz Alfredo Rodrigues de Sant’ Anna - acadêmico de direito - RG 45.480.801-X