Tribuna do Leitor

O melhor patrão do mundo?


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Em 7 de Setembro de 1822 o Brasil era declarado formalmente um País independente. Acontece que nessa luta não participaram os escravos, índios, os decadentes mineradores e plantadores de cana, ou seja, cerca de 90% da população. Nossa independência foi um movimento elitista sem a participação do povo que continuou a sofrer todos os abusos econômicos e políticos de que já eram vitimas e que acabou por ficar de fora, também, das decisões políticas tomadas pela nova nação soberana. A exclusão permaneceu após a proclamação da República, eram proibidos de votar as mulheres, analfabetos, menores de 21 anos, presos, soldados e até padres. O povo permaneceu afastado das decisões, primeiro de forma manipulada por demagogos populistas e em seguida calados a força pela ditadura.

Quando os brasileiros foram às urnas no dia 29 de outubro a mídia exaltava a democracia e divulgava o lindo slogan que nós, o povo, somos o patrão dos políticos. Agora eu pergunto: Existe algum patrão que permite aos funcionários se concederem um polpudo aumento de 91%? Aumento esse que nem de longe é merecido e que proporcionaria um salário de 24,5 mil reais, enquanto o patrão tem uma média de 350 reais? Ou o povo brasileiro é de longe o melhor patrão do mundo ou existe alguma coisa de errado nesse discurso.

Em 184 anos de soberania uma elite econômica e intelectual sanguessuga trataram de excluir a grande maioria da população de participar de forma consciente de assuntos que são do seu máximo interesse. Hoje assistimos a absurdos como o aumento do deputados e tantos outros inertes, quase conformados, sem nenhuma forma de protesto coesa e organizada que possa de fato lutar pelos interesses da maioria. O que parece é que, como dizia Lima Barreto, “O Brasil não tem povo, tem público”.

Gabriel Ávila Casalecchi - RG 43.457.285-3

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