Para alguns vendedores ambulantes e prestadores de serviços autônomos que atuam no Centro da cidade, a época de Natal não está sendo nada animadora. Fabrício Genaro, 35 anos, possui uma barraca próximo ao cruzamento da avenida Rodrigues Alves com a rua Treze de Maio, na qual comercializa óculos de sol.
Ele atua no local há dez anos e afirma estar decepcionado com o movimento deste final de ano. “As vendas andam meio fracas. Parece que as pessoas estão sem dinheiro para gastar”, avalia.
Os óculos vendidos por Genaro custam entre R$ 10,00 e R$ 15,00, em média. Com a chegada das estações mais quentes do ano, ele tem sido obrigado a trabalhar durante horas sob um sol escaldante. “É difícil suportar essa ‘lua’ na cabeça”, reclama.
Deve ser mesmo: Genaro costuma ficar tão cansado que, este ano, ainda não foi capaz de permanecer em sua barraca até o horário oficial de fechamento do comércio do Centro (às 22h). “Consegui ficar, no máximo, até às 8h”, afirma.
Mas ele não é único que anda desanimado com os resultados financeiros obtidos no Natal deste ano. Em meses normais, o mototaxista Claudiomiro Sabino Brugnari, 57 anos, que trabalha em um ponto na rua Treze de Maio, costuma fazer de cinco a sete corridas ao dia. Agora que o Centro recebe milhares de pessoas diariamente, seria natural que ele passasse a atender uma clientela maior.
“Que nada”, lamenta ele, “Ninguém quer saber de gastar. Se eu ficar aqui até mais tarde, vou conseguir, com muito esforço, uma ou duas corridas a mais”, completa. A exemplo de Genaro, Brugnari e seus colegas de ponto decidiram não trabalhar até as 22h. “Não compensa, dá muita canseira”, diz o motociclista.
O vendedor de água de coco Benedito Barbosa, 64 anos, é outro que não costuma seguir os horários do comércio, encerrando as atividades diárias por volta das 17h30. Mas ele tem motivos diferentes dos alegados pelo comerciante de óculos e do mototaxista para proceder dessa maneira.
“Se estiver calor, água de coco vende bem, independente de ser Natal. O problema é que quando escurece, a temperatura cai um pouco e o pessoal não quer mais saber de comprar”, explica.