Se algumas famílias de Bauru irão passar o Natal sem ter o que comer, não será por falta de esforço das entidades assistenciais. Desde o mês passado, uma grande mobilização tem tomado conta da cidade. Diversas instituições de Bauru vêm promovendo doações de brinquedos e alimentos às famílias pobres do município.
A Casa da Esperança é uma das várias entidades de Bauru que desenvolvem ações específicas para o final de ano. A entidade distribuiu cestas de Natal para as famílias das 80 crianças atendidas nos projetos sociais mantidos no Núcleo Fortunato Rocha Lima.
No lugar de arroz e feijão, a Casa da Esperança preferiu distribuir leite condensado, achocolatado em pó, coco ralado e goiabada. “O básico a gente já entrega durante o ano todo. Essas doações são para as famílias fazerem uma ceia natalina”, explica Martha Maria de Oliveira César, coordenadora da entidade.
Já o Centro Espírita Amor e Caridade (Ceac) fará a doação de aproximadamente 600 cestas básicas nos seis núcleos que mantém na cidade: Nova Esperança, Fortunato Rocha Lima, Jardim Ferraz, Vila Zillo, Vila São Paulo e Parque Ferradura Mirim. Apesar de grande, quantidade é bem menor do que a distribuída em 2005.
“Ano passado conseguimos arrecadar dinheiro suficiente para comprar 900 cestas, mas este ano os voluntários estavam ocupados com as vendas de nossa rifa beneficente”, explica Nélson da Silva Bastos, tesoureiro da entidade.
Ainda assim, ele acredita que a queda no número de doações feitas pelo Ceac não prejudicou o atendimento às famílias carentes de Bauru. “Existem muitas entidades desenvolvendo o trabalho solidário nesta época. Bauru é uma cidade privilegiada nessa área”, afirma.
Por outro lado, Bastos reconhece que a concentração das ações solidárias no período do Natal acaba criando uma espécie de “vácuo de solidariedade” em Bauru. “Acho que as pessoas lembram de ajudar ao próximo nessa época porque são tocadas afetivamente pelo nascimento de Cristo”, crê.
César, por sua vez, acredita que algum dia as pessoas deixem de fazer caridade apenas na época do Natal. “Hoje em dia a questão da responsabilidade social vem sendo cada vez mais divulgada pela mídia. Aos poucos as pessoas vão se conscientizar de que é preciso praticar solidariedade sempre”, diz.