Era o mês de dezembro, já começara os preparativos para a comemoração do Natal e Ano Novo. O presépio, com as imagens do menino Jesus, Maria e José, assim como os três reis magos, já ocupavam seus lugares! As lâmpadas coloridas, enfeitavam as fachadas das casas. O comércio exibia seus artigos natalinos, como um atrativo para as compras. O vaivém das pessoas enchia as ruas e as lojas para as compras dos presentes. As crianças, com sua alegria, já escolhiam o brinquedo que queriam ganhar no Natal. O nascimento do menino Jesus, para elas era só roupas novas, presentes, ceias e o encontro com parentes, para o farto almoço, preparado com capricho!
O amigo secreto, a decepção com o presente que não era o escolhido, fazia parte também da festa, que todo ano se repetia.
Alguém ainda se lembra dos mais necessitados, os que nada têm para comemorar e organiza uma arrecadação de brinquedos e alimentos para que a data seja menos triste.
Naquele lar que outrora teve fartura neste dezembro, nada há para oferecer à família!
Aquela mãe de cinco filhos está triste, mas não revoltada, queria ter algo para oferecer aos filhos. Então diz ao Senhor Deus, que tudo vê. “Oh, meu pai do céu, o Natal está chegando, meus filhos que estão fora estudando virão comemorar com a família as festas de Natal e Ano Novo, e eu nada tenho para oferecer a eles. Estou muito triste com isso.”
Ela não pediu nem reclamou. Mas, no dia seguinte, parou um caminhão em frente ao portão e o motorista disse: “Viemos entregar esta encomenda”. A mãe fala ao motorista: “Deve ser engano, não há ninguém que nos mandaria alguma coisa”. Mas o motorista insiste: “É aqui sim, o endereço está correto”. Entregou, então, uma cesta de Natal, completa, com tudo, e até mais do que precisavam. A comemoração se tornou uma festa e a alegria da mãe era mesclada com a preocupação de que não era para eles aquele presente! E não era mesmo, dias depois, o que fez a entrega foi ao trabalho do dono da casa para contar que entregara o presente no endereço errado! “Bem que minha mulher avisou que não era para nós, mas você não acreditou... Agora já não temos o que devolver. Este foi um milagre no Natal que nunca esqueceremos, passados tantos anos.”
A autora, Dulce Montenegro Turtelli, é colaboradora do Opinião