Tribuna do Leitor

Nossa luta


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“E assim, das asas que teve, Ícaro perverteu o uso, ganhou-as para salvar-se, usou-as para perder-se.”

Não é o nosso caso. Quando o SNI começou a desbaratar as células de resistência - braços da esperança - nos meios acadêmicos, jornalísticos e eclesiásticos era tarde, a teia do bem já estava formada. Com a explosão do Caso Riocentro, que matou um sargento e feriu um capitão do Exército, em abril de 81, ficou impossível mesmo para a mente privilegiada de Golbery qualquer outra tática que não fossem “eleições amplas, gerais e irrestritas”.

Conseguimos bravamente a liberdade de imprensa, o direito ao voto, as eleições diretas, a constituinte, a cassação de marajás, o impeachment e as privatizações, mas parece que depois disso ficamos iguais aos amigos do peixinho Nemo que, quando conseguiram chegar ao mar, diante das possibilidades oceânicas da liberdade, se perguntaram :

“E agora, o quer faremos?”

É, amigo quarentão, hoje, diante de tanta sandice política, seria bom que você não perdesse seu norte e lembrasse de onde veio e para onde quer ir.

Seria fantástico que nos erguêssemos e começássemos em casa por contar aos filhos qual era o preço da liberdade. Só assim faremos um Brasil melhor e com valores morais.

Reajuste salarial de parlamentar, CPIs, Clodovil e Maluf são apenas reflexos distorcidos da liberdade que “nós mesmos ” lhes concedemos através de nossas lutas sangrentas.

“Eia! Subamos e possuamos a terra que Deus nos confiou!”

Este é o nosso caso.

Plínio Lopes Jr. - contador - RG 10.485.312

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