Para Bernardo Lichewitz, diretor de endocrinologia do Hospital do Servidor Público Estadual, um agravante sobre a anorexia é que há muitos casos sem diagnóstico. “As pessoas vêem outras muito magras, mas não percebem”, ressalta.
O médico afirma que a doença é mais freqüente em mulheres, que são mais submetidas a certos padrões de beleza e, quase sempre, começa em casa. “Em geral, tem início com uma dieta para emagrecer, só que a pessoa esquece de parar.”
Um sintoma importante nas mulheres é a interrupção da menstruação. Além disso, praticamente todos os doentes sofrem de bradicardia, uma freqüência cardíaca mais baixa. “Para se defender da falta de alimento, o organismo muda, fica mais lento. De 80 batimentos por minuto, há pacientes que chegam a ficar com menos de 40, por exemplo”, diz o médico.
A família deve ficar de olho em atitudes suspeitas, como rejeição a comida e exagero de exercícios físicos. Lichewitz diz que o importante para evitar o problema é uma boa estrutura familiar. “Muitas vezes, há uma criança obesa na família e os pais ficam estimulando dietas. Isso não é bom, a menos que haja risco para a saúde”, afirma o médico, que diz que os doentes de anorexia têm em comum a baixa estima. O tratamento deve ser feito com o acompanhamento psicológico ou psiquiátrico.
O psicólogo Luiz Delfino Mendes também afirma que a autopercepção dos doentes é o maior problema, e reafirma a importância de um ambiente familiar acolhedor. “A doença normalmente decorre de um problema no relacionamento afetivo, principalmente com a mãe. É essencial que a família ofereça um ambiente amoroso desde o nascimento.”
Para Mendes, o bom resultado do tratamento depende da disposição do paciente. “Já atendi casos em que houve uma resolução em menos de um mês. Eu defendo uma abordagem sem uso de remédios para que a pessoa não se afaste ainda mais de seu corpo, mas o resultado depende do paciente”, conta.
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Celebridades
Não são poucos os casos de atrizes e cantoras que acabam internadas para recuperar os quilos perdidos em crises de anorexia. Aliás, difícil é uma popstar não ter problemas em relação à sua imagem. Idolatrada por milhares de adolescentes, Anahí, 22 anos, a Mía da novela “Rebelde”, foi uma das que sofreram com a perda exagerada de peso. Isso ocorreu quando ela tinha 17 anos e, segundo a jovem, veio acompanhado de depressão. Ela chegou a ser internada e ficou oito meses em recuperação.
A ex-Spice Girl Victoria Beckham, a modelo Kate Moss, a cantora Alanis Morissette e a atriz brasileira Deborah Evelyn, atualmente em “Páginas da Vida”, também já admitiram ter enfrentado a doença, mas se trataram antes que algo mais grave acontecesse.