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Olimpíadas: COI tenta levar Iraque a Pequim-2008

Folhapress
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Bagdá - Alguém devia não gostar de Mahmud Fleieh, pois, logo após retornar dos Jogos Asiáticos, o técnico foi seqüestrado e, na manhã da última quarta, seu corpo foi achado pela polícia. O treinador da equipe nacional de ciclismo viajara a Doha (Qatar) e se preparava para enviar os pupilos para treinar na Turquia. Não teve tempo. Três dias depois do regresso, um grupo armado o capturou.

Fleieh não passa de outro caso na onda de violência que assola o Iraque. E que já fez várias vítimas, inclusive no esporte. Ciente do problema, o presidente do Comitê Olímpico Internacional, Jacques Rogge, conclamou as representações nacionais que ajudassem na preparação dos sobreviventes para os Jogos de Pequim-2008.

O clamor foi ouvido por nove comitês, alguns insuspeitos, como o do Irã, que esteve por dez anos (1980-1990) em guerra com o Iraque, e do Kuait, invadido pelo vizinho em 1990. Os iranianos decidiram abrigar atletas de luta livre; o Kuait cedeu as piscinas aos nadadores. Escolas tradicionais de alguns esportes aderiram à iniciativa. É o caso da ginástica, que treinará na Romênia, e do boxe, que irá para a Irlanda.

“Soubemos das condições no Iraque e decidimos ajudar. Escolhemos o boxe, que é nosso esporte mais forte”, disse Patrick Hickey, presidente do Comitê Olímpico Irlandês e mandatário da associação que congrega todas as entidades olímpicas do velho continente. A Itália, no atletismo, e a Alemanha, no vôlei de areia, também engrossaram o comitê de ajuda esportiva ao Iraque.

A situação é tão caótica que o comitê olímpico local está acéfalo desde julho, quando Ahmed al-Hijiya, presidente da entidade, foi seqüestrado com 28 dirigentes, incluindo Ammar Jabar al Saadi, seu vice, e os dirigentes das federações de taekwondo e boxe. Eles participavam de reunião em Bagdá, quando o recinto foi invadido por homens armados. Dois guardas morreram na ação.

Desenvolver o esporte iraquiano não é tarefa fácil. O bronze de Abdul Wahid Aziz no levantamento de peso, nos Jogos de Roma-60, ainda é a única medalha olímpica do país. Como consolo, a representação local ficou perto do pódio nos Jogos de Atenas-2004. Com delegação reduzida - viajaram só 25 atletas -, o Iraque terminou em quarto no futebol, após perder o bronze para a Itália.

Nos Jogos Asiáticos, encerrados no dia 15, a participação foi quase um feito. O grupo foi retido em Bagdá por causa de um toque de recolher e só viajou três dias antes do evento. “Todos são heróis, mesmo sem medalha”, destacou Tiras Anwaya, chefe da delegação.

Heroísmo que pôs o Iraque na 29ª posição, com duas pratas e um bronze. “Espero ver um sorriso no rosto de meus compatriotas”, disse Harem Ali, terceiro colocado no levantamento de peso (até 77 kg).

Já é um consolo: havia 20 anos, desde a competição de Seul, em 1986, que os iraquianos não freqüentavam o pódio. Objetivos mais modestos tiveram as irmãs Liza e Lida Agasi, do vôlei de areia, eliminadas logo na primeira fase. “Viemos aqui para dizer que nosso país ainda existe”, ressaltou Liza.

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