• Queda-de-braço
Uma previsão feita por esta coluna logo após a eleição para a presidência da Câmara materializou-se ontem, na primeira reunião dos vereadores (sessão extra). Está instalada uma perigosa (para a cidade) queda-de-braço entre a oposição, que domina politicamente o Poder Legislativo, e o prefeito Tuga Angerami (sem partido), que não tem articulação na Casa de Leis, contrariando regras básicas das relações políticas entre poderes.
• Opostos repelidos
De um lado estão os vereadores Paulo Madureira (PP) e Marcelo Borges (PSDB), que detêm a hegemonia política do Legislativo, e possuem, cada qual, seu projeto de poder: um vai assumir a presidência da Casa e quer ser chamado ao diálogo e o outro é pré-candidato a prefeito. De outro, o prefeito, que se recusa desde sempre, inexplicavelmente, a ter uma bancada estável na Câmara Municipal, que o credencie a articular e negociar os projetos do Executivo.
• Falta bom senso
Resultado: uma das maiores senão a maior dívida da prefeitura (Funprev - R$ 73 milhões), que cresceu monstruosamente por irresponsabilidade dos últimos prefeitos, ficou sem solução e só voltará ao plenário da Câmara em fevereiro. Bauru não pode ficar refém de disputas menores, sejam por vaidade, projetos político-partidários ou intolerâncias. Espera-se que já em janeiro haja bom senso e mais equilíbrio entre os poderes.
• Novas lideranças
Assim, entre uma e outra demonstração de pouco desprendimento e falta de apego à busca das soluções de que a cidade necessita, vai crescendo a sensação de que é preciso que surjam novas lideranças para ocupar o vazio político instalado desde a eleição parlamentar passada, quando os eleitores rejeitaram vinte e tantos candidatos, elegendo apenas um, o deputado Pedro Tobias. Esta (a de 2008) pode ser a eleição da renovação no comando central da cidade.
• Crítica criticada
O vereador Marcelo Borges foi criticado por vários colegas porque, na tribuna, disparou contra o que chamou de “privilégio do governo Tuga” dado ao Grupo Confiança de Supermercados. O projeto em discussão não era para esta empresa, mas para deslocar uma unidade da Ultragás da avenida Castelo Branco para o Distrito Industrial, com a cessão de um terreno. Vereadores que discordaram defenderam que os empreendedores devem ser estimulados e não expostos desta forma.
• Com remendos
Marcelo Borges afirmou: “Pensam que mandam na cidade e este projeto aqui é para acertar...”, referindo-se ao fato de o Confiança estar construíndo nova loja ao lado da Ultragás. Paulo Madureira tentou minimizar, dizendo que o colega não queria atacar o Confiança, mas cobrar tratamento igual a pequenos e grandes empreendedores. Mas o estrago já estava feito. O alvo seria José Clemente Rezende, cunhado de Jad Zogheib e possível candidato a prefeito.
• Carta no colete
O vereador João Parreira (PSDB) surpreendeu ao sacar do bolso requerimento pronto do prefeito retirando o projeto de acordo da dívida da Funprev. Borges não agüentou e disse que o colega “era líder de fato do prefeito”, ameaçando levar a questão para discussão em outra instância. Leia-se Comissão de Ética do PSDB.