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Ferrovias: até quando a impunidade prevalecerá?


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A matéria do jornalista Luiz Galano sobre a situação das ferrovias, publicada na edição de ontem do Jornal da Cidade, é esclarecedora e torna público o resultado de um dos maiores crimes cometidos contra os interesses do país. O que foi demonstrado pela matéria é uma parte muito pequena do atual estado da malha ferroviária da Ferrovia Novoeste e Ferroban, que agora está sob controle da América Latina Logística (ALL).

A situação é ainda pior nos trechos que ficam distante dos centros urbanos, onde a destruição é ainda pior. Este caos é de conhecimento dos ferroviários, principalmente os artífices de via permanente que realizam em condições precárias a manutenção, e de maquinistas e manobradores que conduzem os comboios ferroviários. Estes estão trabalhando sob pressão brutal. Cotidianamente a vida destes ferroviários é exposta a riscos. Via permanente precária, equipamentos sem manutenção adequada, jornadas excessivas de trabalho, pressão diária da chefia para o cumprimento de metas, são fatores que concorrem para a ocorrência de acidentes que colocam em risco o interesse difuso da sociedade. Mesmo com esta situação, a ALL tenta implementar a monocondução, o que consideramos uma insanidade. Justifica sua posição propagandeando que as locomotivas terão computador de bordo. Oras, qualquer gestor de produção sabe que quanto mais ferramentas de trabalho, mais se requer atenção do operário.

A precarização das condições de trabalho chegou a um ponto insustentável. Os ferroviários confiam na justiça, e continuam aguardando que a Justiça do Trabalho se pronuncie em dois processos para pôr fim a essas sandices: o que proíbe a terceirização das atividades tipicamente ferroviárias, e o que proíbe a monocondução.

O autor, Roque Ferreira, é coordenador do Sindicato do Ferroviários de Bauru, MS e MT

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