O Natal por si só já é um presente para os catadores de materiais recicláveis. Como aumentam as vendas do comércio e a população consome mais, conseqüentemente cresce o volume de lixo produzido. E quem ganha são os catadores, que têm mais trabalho, mas também oportunidade de ganho extra.
Atualmente, a Cooperativa de Trabalhadores de Materiais Recicláveis (Cotramat) de Bauru tem em sua sede 80 toneladas de produtos recolhidos dos lixos. Em meses normais, o local abriga em torno de 60 toneladas.
Já acostumados a acordar cedo, nesta época do ano os catadores da cooperativa e os que trabalham por conta própria precisam “madrugar”, por volta das 3h ou 4h, para conseguir recolher os materiais. “A concorrência aumenta a cada dia. Faz cinco anos que trabalho como catador e percebo o aumento de pessoas no ramo”, conta Clayton Roberto da Silva.
Além disso, os grandes compradores de recicláveis, especialmente os de papelão, entram em férias coletivas nos próximos dias e só retornam às atividades no início do ano que vem. Assim, as compras ficam reduzidas e o preço cai. “Grande parte dos compradores já está com o estoque cheio. Por isso, pagam menos pelos produtos”, explica outro catador que preferiu apenas se identificar como Valter, 40 anos.
A funcionária responsável pela venda dos materiais recicláveis da cooperativa, Maria Cecília Pereira, concorda com a desvalorização no final do ano. “O preço do alumínio, que chega a custar R$ 3,80 o quilo durante o ano, cai para R$ 2,00 em dezembro”, conta. Atualmente, 21 catadores fazem parte da cooperativa.
Valter também reclama que, apesar da quantidade de lixo ser maior, em cada saco dá para reciclar entre 3 ou 4 objetos. “A gente assusta ao ver tantos sacos em frente a uma casa, mas pouco se aproveita do lixo”, diz.
Mesmo com as dificuldades, a época é considerada uma das melhores para os catadores. “Consigo ganhar em torno de R$ 700,00. Mas trabalho todos os dias da semana, inclusive aos sábados e domingos”, conta Silva. No Natal, às vezes ele consegue encontrar produtos que nada tem a ver com lixo. “Minha mãe separa o lixo que eu recolho. Ela já encontrou algumas correntes de ouro. Acho que a pessoa jogou por engano”, diz o catador.
Para Valter, o sustento da família precisa ser complementado com outras atividades. “Tenho dois filhos e só virei catador porque faço de tudo para sustentá-los e não quero roubar. Mas quem falar que dá para sobreviver do lixo está mentindo”, rebate. Ele já foi funcionário da antiga Fepasa e perdeu o emprego quando esta foi privatizada. Desde então, trabalha como catador de materiais recicláveis.