Bairros

Em 4 meses, buracos novos viram ‘adultos’

Lígia Ligabue
| Tempo de leitura: 4 min

Ele começou pequenininho, numa das esquinas da quadra 13 da rua Professor Ayrton Bush, no Parque Jaraguá. Em agosto, o buraco começou a crescer e hoje já é uma cratera, que engole o asfalto e acumula galhos, cascalhos e até telhas inteiras. Duas quadras acima, o buraco também começou em agosto, mas a chuva potencializou o seu crescimento. Tapado no início do mês, o buraco tornou-se “adulto” em apenas duas semanas. Hoje, assusta os vizinhos que temem a morte uma criança afogada no poço que se forma quando o buraco enche de água da chuva.

A formação de um buraco depende da qualidade do asfalto, da intensidade de trânsito na via e também da quantidade de enxurrada que se forma. No caso da rua Ayrton Bush, o trânsito é constante, inclusive de caminhões. Por isso, os buracos cresceram tão rápido. “Em agosto estava certinho. A prefeitura veio, disse que ia começar o asfalto. Fez guias e bocas-de-lobo e não voltou mais. Depois que eles mexeram, o buraco começou a abrir”, conta João Guilherme, que possui uma loja de peças na esquina da quadra 13, bem ao lado do buraco.

A chuva piorou a situação. A cratera destruiu o asfalto da rua Ayrton Bush e também abriu buraco na rua Horácio Gonçalves, que cruza a via. Na mesma Ayrton Bush, duas quadras antes, o buraco preocupa os moradores. Andréa dos Santos Costa, lembra que no início de dezembro, a prefeitura tapou o buraco. Duas semanas depois, ele já estava com cerca de meio metro de profundidade. “Eles arrumam de qualquer jeito, vem a chuva e o buraco volta a aumentar”, relata.

Para ela, o maior problema é quando a cratera está cheia de água. “Ninguém, percebe que ali tem um buraco. Além de acidentes com carros, se alguma criança cair ali, pode morrer afogada”, diz.

Em ruas de menor movimento, o crescimento dos buracos é mais lenta. Nas quadras 1 e 2 da rua Antônio Pereira, na Vila Alto Paraíso, são dezenas de pequenos buracos que atormentam os moradores desde junho. O trânsito não é tão intenso quanto na Ayrton Bush, mas o estrago é o mesmo. “No meio do ano, a prefeitura veio e tapou. Dias depois os buracos voltaram e até agora ninguém apareceu. Fizemos até um abaixo-assinado, mas nada. E a cada chuva, eles aumentam de tamanho”, observa Selma de Oliveira Santos, que mora na rua.

O vizinho José Ambrósio Moreno conta que apenas um dos buracos foi tapado em junho, o restante permaneceu sem o reparo. “E mesmo fazendo abaixo-assinado e entregando na prefeitura, ninguém veio arrumar os buracos”, lamenta.

A Secretaria Municipal de Obras conta com cinco caminhões trabalhando em operações de tapa-buracos. Em cada um, trabalham cinco funcionários. Segundo Paulo Brittes, titular da pasta, as ruas das linhas dos ônibus e as de grande movimento são priorizadas para os reparos. Todos os dias, as equipes recebem uma programação e, ao final, Brittes recebe o que foi feito e o que ficou para trás.

“Todo pedido que chega aqui mandamos imediatamente para a usina de asfalto. Não prometo que será feito amanhã, mas será feito. Se a equipe estiver indo para um lugar perto, atende mais rápido. Quem liga aqui, além dos que eu vejo (buracos) na rua, mandamos tapar”. Brittes anotou os buracos apontados pela reportagem do Jornal da Cidade e garantiu que serão reparados. O secretário afirmou que em alguns casos vai pessoalmente verificar o problema.

• Serviço

Para comunicar a localização de buracos, a população pode ligar para a Secretaria Municipal de Obras, pelo telefone: (14) 3235-1060.

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Aquecimento

Não foi só a chuva de ontem à tarde que parou as equipes de tapa-buracos da Secretaria Municipal de Obras. A usina de asfalto da prefeitura teve um problema de superaquecimento e teve de suspender a produção. A unidade começou a funcionar em 1973 e atualmente opera com a capacidade produtiva de 123 metros cúbicos de asfalto por dia.

Ontem, um entupimento provocou o problema de superaquecimento do maquinário, que teve de ser desligado e consertado. A expectativa é que hoje a usina esteja funcionando normalmente. Além de fornecer material para as operações tapa-buracos e para os recapeamentos das ruas da cidade, a usina também fabrica o asfalto utilizado pelo Departamento de Água e Esgoto (DAE).

Para o secretário de Obras Paulo Brittes, o ideal seria uma nova usina de asfalto. “Tenho um orçamento de uma usina de R$ 490 mil, com capacidade para a produção de 20 a 50 toneladas de asfalto por hora”, conta. Mas o projeto ainda está apenas nos estudos.

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