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Dossiê é resultado de ‘indignação do PT com CPI’, diz polícia

Por Leonardo Souza e Hudson Corrêa | Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

Brasília - No relatório final do inquérito sobre o dossiê antitucano, a Polícia Federal (PF) descreveu Jorge Lorenzetti, chefe do núcleo de inteligência da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, como o “centralizador” da negociação do material contra o PSDB.

A PF sugeriu também que a operação foi montada, entre outros fatores, porque havia no PT “uma indignação” quanto ao rumo tomado pela CPI dos Sanguessugas, “atribuindo toda a culpa da fraude” ao governo Lula, “quando se sabia que o início de tudo foi no governo anterior, de Fernando Henrique Cardoso”.

No entanto, nem Lorenzetti nem os outros dois petistas da campanha do presidente diretamente envolvidos no escândalo (Expedito Veloso e Osvaldo Bargas) foram responsabilizados no inquérito, encerrado na semana passada.

O mesmo se deu em relação ao então presidente do PT e coordenador da campanha de Lula, Ricardo Berzoini, chefe de Lorenzetti. “A oferta (do dossiê) chegou inicialmente na campanha nacional do PT. Se houve nesse momento anuência ou ciência do coordenador da campanha e então presidente do partido, deputado Ricardo Berzoini, somente os envolvidos poderão esclarecer”, informa o relatório final, assinado pelo delegado Diógenes Curado.

Mercadante

A PF associou o dinheiro usado na negociação do dossiê (R$ 1,75 milhão) somente à campanha do senador Aloizio Mercadante (PT-SP) ao governo de São Paulo, indiciando o próprio senador e dois de seus assessores. Cópia do documento da PF foi encaminhada ontem à reportagem por Mercadante. Ele disse que tomou a iniciativa para dar transparência ao que chamou de “um ato discricionário” da PF ao “transferir toda a responsabilidade do caso para sua campanha, sem apresentar nem uma prova sequer de seu envolvimento”. “Eu nunca fui tratado como investigado durante todo o inquérito. De repente, sou indiciado a partir de ilações. Fica claro que fui usado como bode expiatório para ocultar o fracasso das investigações”, disse.

Com base no que considera provas irrefutáveis, a PF concluiu que Hamilton Lacerda, ex-assessor de Mercadante, foi quem levou o dinheiro do dossiê aos emissários do PT na transação entre Gedimar Passos e Valdebran Padilha. De acordo com o relatório, toda a operação foi montada inicialmente por Lorenzetti com a ajuda de Bargas, Expedito e Gedimar. Lacerda teria sido chamado posteriormente para participar da negociação porque o material seria utilizado para reverter a situação desfavorável da campanha de Mercadante, sempre atrás do tucano José Serra, eleito governador de São Paulo no primeiro turno.

“A alegação do candidato Aloizio Mercadante de que não teria autorizado ataques ao seu rival político José Serra e que, por conseqüência, nada sabia do dossiê, nos aparenta, no mínimo, inverossímil."

Crime eleitoral

Mercadante e o tesoureiro de sua campanha, José Giácomo Baccarin, foram indiciados por crime eleitoral devido a um suposto caixa dois que seria a origem dos recursos do dossiê. Lacerda foi indiciado por lavagem de dinheiro. “Lacerda era também assessor parlamentar de Aloizio Mercadante (...). Registra-se isso para reforçar que se tratava de pessoa da confiança do senador, não se imaginando que fosse tomar uma atitude daquela responsabilidade e risco sem sua anuência”, ressaltou a PF.

Embora o deputado federal petista Carlos Abicalil (MT) e o secretário-geral do PT em Mato Grosso, Alexandre César, também não tenham sido responsabilizados no inquérito, o delegado afirmou haver fortes indícios de que “a oferta do dossiê” teve o apoio deles. Os dois trocaram várias ligações com Valdebran no começo da negociação do dossiê.

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