Mutuários do Núcleo Fortunado Rocha Lima que estão inadimplentes com a Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU) estão sendo cobrados. Desde outubro, a companhia está enviando notificação de cobrança aos moradores que devem prestações da casa própria. Em Bauru, cerca de 200 mutuários do bairro, construído em sistema de mutirão na década de 90, devem ter recebido as cartas emitidas pela direção da instituição, em São Paulo.
De acordo com a CDHU, a partir da terceira prestação atrasada o mutuário é considerado inadimplente e a companhia pode entrar na Justiça para retomar o imóvel. Antes disso, a entidade busca o parcelamento e a renegociação da dívida. Na manhã de ontem, um mutuário, que prefere não ter seu nome divulgado, procurou o Jornal da Cidade temendo a possibilidade de perder a sua casa.
As parcelas do seu financiamento não são pagas desde junho e ele recebeu a cobrança da CDHU. Na carta enviada pela gerência de recuperação de créditos imobiliários da companhia, o mutuário é alertado da dívida acumulada no período e é aconselhado a procurar a CDHU em Bauru, que o auxiliará na renegociação. Caso contrário, a carta avisa que não restará outra alternativa à entidade além do envio do nome do mutuário ao cartório e posterior retomada do imóvel.
A preocupação do morador, além da dívida, é quanto ao contrato do financiamento, que está no nome de outra pessoa. Sua família foi a primeira ocupante da casa, mas ele deixou o imóvel para um tratamento de saúde. A casa foi ocupada por terceiros. Agora, além das seis parcelas em atraso, ele precisa regularizar o contrato.
O gerente regional da CDHU em Bauru, Carlos Roberto Ladeira, afirma que na cidade não existe nenhum mutuário correndo risco imediato de perder o imóvel. Antes da retomada, procuramos fazer acordos, renegociações, aumentar os prazos. E mesmo quando existe uma ação judiciária, ainda cabe negociação”, explica Ladeira.
Eduardo Borgo, assessor de gerência da CDHU, reitera que a carta enviada pela companhia aos inadimplentes do Núcleo Fortunato Rocha Lima é somente um alerta. Borgo conta que no núcleo existem 452 casas e cerca de metade dos moradores estão com problemas no pagamento das parcelas, de R$ 19,00 ao mês.
Outro problema apontado pelo gerente, é o grande número de moradores sem contrato, cerca de 90. “Além disso, mais da metade das casas não estão mais com o titular do financiamento”, calcula Borgo.
• Serviço
Se o contrato estiver regularizado, a negociação das parcelas atrasadas pode ser feita na CDHU, na rua Manoel Bento Cruz, 20-53 ou no guichê da CDHU no Poupatempo, na avenida Nações Unidas, 4-44. Outra alternativa é renegociar no site da companhia, no www.cdhu.sp. gov.br. O mutuário precisa do CPF do titular do imóvel e uma prestação do financiamento. Para a regularização contratual, o morador precisa do contrato de gaveta e uma procuração do antigo titular para transferir o financiamento.