Tribuna do Leitor

Feliz Natal!


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A linguagem do índio é motivada. Assim é que surgiram: Itapura: pedra fora da água; Jupiá: redemoinho das águas; Itararé: pedra furada, e assim por diante.

O mesmo não ocorre com nossa língua, que é aleatória. No entanto, a escolha da palavra torna-a bela, envolta numa plasticidade insuperável. E os fonemas vocálicos emprestam este colorido que tanto encantam as pessoas que lêem. Os fonemas /i/ e /u/ são altos; /e/ e /o/ fechados são médios; /e/ e /o/ abertos são baixos e o fonema /a/ é baixíssimo. De pronúncia simples e fácil, está ligado às coisas belas e claras do mundo que nos cercam. Assim é que surgiu: Guanabara, a mais bela paisagem do mundo; Araraquara, a morada do sol. E talvez por isso, só por isso, escolheram a palavra Natal para assinalar o mais belo dia do ano.

Natal é isso! É luz; é beleza; é paz!

Há também o número de sílabas: monossílabos e dissílabos se prestam para indicar facilidade, prudência, calma, amor, enquanto os polissílabos sugerem marcha penosa, difícil.

Natal! O /l/, fonema líquido, cumpre sua finalidade, ao prolongar a sonoridade dos /aa/ tão cheios de luz.

Bem sei que incômoda é a presença de cadeiras vazias em torno de nossa mesa. Mas não marcam ausências. São pessoas muito queridas alojadas em nossos corações.

Não! Não poderiam escolher outro nome para este dia tão resplendente de luz. Que esta luz risque seu caminho levando-o ao encontro do Ano Novo que chega, tendo sempre, ao seu lado, a companhia do ilustre aniversariante. Feliz Natal!

Álvaro Baptista Pontes - Academia Bauruense de Letras

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