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Governador eleito admite acionar Força Nacional

Folhapress
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Rio - O governador eleito do Rio, Sérgio Cabral (PMDB), afirmou ontem que a onda de violência ocorrida no Rio não vai intimidar o novo governo e admitiu que, se necessário, acionará a Força Nacional de Segurança Pública. As ações causaram 18 mortes. “Nosso governo não vai se intimidar e não vai tolerar esses ataques. Colocaremos um policiamento ostensivo nas ruas e se necessário, chamaremos a Força Nacional de Segurança Pública”, disse em nota.

Criada em 2004 e ligada ao Ministério da Justiça, a Força Nacional é uma tropa de elite formada principalmente por policiais militares e bombeiros, de diferentes Estados. Conforme anunciado em outubro pelo secretário nacional da Segurança Pública, Luiz Fernando Corrêa, a Força deverá fazer a segurança da Vila do Pan e dos locais de disputa do evento.

A governadora do Rio, Rosinha Matheus (PMDB), disse que a “bandidagem” não conseguiu reeditar no Estado a série de atentados promovidos pela facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC) em São Paulo. Ela alegou que o objetivo dos criminosos era protestar contra o Regime Disciplinar Diferenciado (RDD), a que foram submetidos seis presos recentemente.

A Secretaria de Administração Penitenciária atribui as ações a uma reação do crime organizado à expansão das milícias pela cidade e não ao RDD. “O que a bandidagem queria nas ruas era reeditar São Paulo, mas não conseguiram e não conseguirão”, disse a governadora, que deixará o cargo no final da semana. Rosinha disse que a ação da polícia evitou tragédia maior. “Pelo nosso sistema, detectamos e colocamos todo o policiamento na rua.”

Repercussão

Os acontecimentos no Rio até ontem não tinham motivado comentários oficiais por parte de integrantes do governo e do comando do Congresso. O Ministério da Justiça informou que o ministro Márcio Thomaz Bastos não conversou com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva para repassar informações sobre a madrugada de violência na cidade.

O ministério negou ainda rumores sobre a suposta interrupção das férias de Thomaz Bastos - que descansa no litoral paulista - por conta dos ataques. Os presidentes do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e da Câmara, deputado Aldo Rebelo (PC do B-SP), também não comentaram o assunto. Procurados pela imprensa, disseram que não iriam se manifestar oficialmente. Institucionalmente, no entanto, o governo tem tratado do assunto com o governo e políticos do Rio.

O líder do PFL na Câmara, deputado Rodrigo Maia (RJ), disse que recebeu a informação do Ministério da Justiça de que o caso está sendo acompanhado com preocupação. Ele considerou os ataques um “final lastimável de uma política de segurança que não deu certo”. Para Maia, a solução não depende do Congresso.

“O problema não seria solucionado com a aprovação de lei. Teria de haver investimentos. É preciso mais preparo das polícias civil e militar. A crise de curto prazo será resolvida com ação integrada e investimentos”, afirmou. De acordo com políticos que acompanham a crise, uma das principais suspeitas da onda de violência é a troca de comando entre as diversas facções criminosas que atuam no Rio.

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