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Mulher morre pedindo ajuda para o filho ferido

Folhapress
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Rio - Vítima dos ataques na madrugada de ontem, Sueli Maria Lima de Souza, 33 anos, vendia sacolé (suco de fruta congelado em saquinhos) na calçada do prédio em que morava, em Botafogo, na zona sul da cidade. Morreu pedindo ajuda para o filho Gabriel de seis anos, que estava ao lado dela e foi atingido apenas de raspão na cabeça.

Pela manhã, ao lado da poça de sangue de Sueli, ainda estava o par de tênis da criança, e, numa árvore ao lado, havia cartazes com mensagens e fotos dos dois colocados por vizinhos. Como fazia todas as noites, nos últimos quatro anos, Sueli montou sua banca de sacolé ao lado da cabine da Polícia Militar (PM), anteontem às 18h, assim que o guarda municipal, que reprime os camelôs, foi para casa. Sueli morava havia dez anos no edifício Solymar, antigo Rajá, de 700 quitinetes. Marcado no passado pela violência, seus moradores mudaram o nome do edifício.

Pelos depoimentos ouvidos pela reportagem, ela se destacava em meio à vizinhança tão numerosa. Foi descrita como uma pessoa generosa, “uma ONG ambulante”, segundo vizinhos. No momento do crime, ela estava ainda com um sobrinho e duas amigas, Ivonete e Naiara. A primeira foi atingida de raspão no lábio. Naiara conseguiu correr para dentro da garagem de um edifício, levando o sobrinho da vítima pela mão.

“Ela estava bordando uma sandália com as miçangas que tínhamos comprado durante o dia. Era um presente de Natal atrasado para mim. Passamos a tarde toda juntas para comprar as miçangas e até nos perdemos no caminho”, disse Naiara Rodrigues da Silva, 18 anos. Ela é uma das poucas testemunhas do crime e não poderá contribuir para identificar os assassinos. “Não dá para saber de onde vieram os tiros, mas era uma chuva de balas.”

O alvo do ataque era a cabine da PM. O policial que estava no local ficou levemente ferido. Quando os tiros cessaram, ela viu Gabriel abraçado ao corpo da mãe, pedindo que não a deixassem morrer. Até a tarde de ontem, o menino não sabia da morte. Apesar de ter tido alta, Gabriel foi mantido no hospital por recomendação de psicólogos.

Nascida em Belém (PA), Sueli mudou-se para o Rio em 1995 para trabalhar como doméstica. Casou-se com o cearense Francisco Braga, 45 anos, caixa de um restaurante em Copacabana. Parou de trabalhar em casas de família depois de ter Gabriel e passava o dia com ele. Mas contribuía para o orçamento doméstico com as vendas ao lado da cabine da PM.

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