Existe um pensamento oriental que se aplicado ao mundo ocidental vai deixar muita gente extremamente inquieta. O pensamento é simples: “viva, em vez de pensar em ser lembrado”. Mas, qual é o sentido de viver... sem ser lembrado? E qual é o sentido de ser lembrado sem viver? Eis o enigma da vida, o mistério das coisas do Homem.
Um dos problemas que o Homem inventa para si é a busca. Uma busca que poderia ser diferente, mas não é. O externo é, via de regra, o objetivo supremo de todo ser vivente. O que dizer das loterias, do lucro fácil, do carro novo, da calça com etiqueta... ou mesmo da possessão sobre os outros seres, através do ciúmes, por exemplo.
Algo que fica, para este tipo de ser humano, sempre em segundo plano, é uma busca mais interessante: a busca interior. Não a busca fingida de interior, que se mistura à religiosidade hipócrita, mas a busca da essência, da verdadeira espiritualidade. O difícil é que o Homem, como eu e como você, caro leitor, se confunde nesta busca desenfreada.
Uma busca desespera e constante, às vezes irrealizável, pois não basta ganharmos cinqüenta mil reais na loteria, queremos ganhar trinta e dois milhões de reais... e um pouquinho menos, nem isso, basta. Queremos o todo e não a parte. Queremos a vida inteira e não os momentos infinitos. Queremos a eternidade e não o aqui-agora.
E a busca continua sempre, mesmo que alcancemos o nosso objetivo, pois quando conseguimos, já queremos outra coisa. Pobres ou ricos... todos estamos sempre buscando. Mas insisto: a busca é sempre externa... a matéria pela matéria, o poder pelo poder, o desejo pelo desejo, o lucro pelo lucro, a possessão pela possessão.
Acontece que chega uma hora que sentimos que tudo isso precisa mudar. É a hora da desconfiança... ou seja, desconfiamos do nosso verdadeiro poder de alcançarmos os bens materiais e percebemos que se não pensamos apenas no dinheiro, ele vem de qualquer maneira. Aliado à desconfiança, aparece a frustração. Verdadeiramente, não encontramos fora de nós mesmo aquilo de que precisamos.
É neste momento que acontece o momento mágico, a sincronicidade. Nos conectamos com a nossa espiritualidade e entramos dentro de nós mesmo. Entretanto, você, querido leitor, deve estar se perguntando, como fazer isto? Como buscar a alma e desfazer-se das frustrações?
Ousadia seria a primeira palavra. A ousadia de resolver ser feliz... sem as teorizações que tanto cansam a humanidade. Ser feliz na prática mesmo. Não perder mais tempo com ilações. Olha que palavra bonita. Combina até com essa mania de ficar pensando em tudo, sem fazer nada. Mas... ousadia de ser feliz e viver o presente, o acontecimento que está exatamente aqui e agora.
Comece de onde você está. Mude algo: resolva parar de fazer alguma coisa que lhe faça mal; ligue para aquele amigo que você não vê há tempos; deixe de fumar; pare de ir à igreja só para mostrar a roupa nova; ande descalço; pise a grama; diga “bom dia” com intensidade; seja compassivo; estabeleça o amor incondicional; não seja o dono da verdade; seja sempre positivo; olhe nos olhos da pessoa; não jogue, apenas seja você mesmo; diga mais sim do que não; e comece bem onde você está. Não sei se isso tudo vai resolver a sua vida, mas, com certeza, é um bom começo.
O autor, Reginaldo Tech, é professor de literatura e redação; mestre em lingüística; e coordenador da ONG COMVIDA. Leia mais textos acessando www.blogdotech.zip.net. Acesse também www.comvida.org