Justamente neste período natalino e de passagem de ano, em que muito se fala em fraternidade, amor e harmonia, a sociedade brasileira recebe estarrecida uma contundente e esdrúxula mensagem que contraria todos aqueles sentimentos. Refiro-me aos absurdos aumentos que senadores e deputados pretenderam se auto-conceder e que, a meu ver, constituem agressão e afronta, fato que, curiosamente, ocorre pouco tempo após as eleições. Sem muito delongar, pretendo apresentar alguns índices salariais em relação aos 24.500 (básicos) que cada deputado e senador queria receber por mês. Essa importância equivale atualmente a 9 salários mensais de um supervisor de ensino (o meu caso) e de um diretor de escola estadual aposentados; a l5 salários de um antigo professor primário aposentado; a 35 salários (quase 3 anos)de um servente aposentado; a 8 salários de um pesquisador científico na ativa; a 15 salários iniciais de um professor universitário; a 49 salários de um professor iniciante em muitos Estados do país e, finalmente, a 70 salários mínimos de R$ 350,00 (quase 6 anos)! E, curiosa e tristemente, nós aposentados e os trabalhadores que recebem o salário mínimo somos considerados os vilões do déficit da previdência social. Principalmente o aposentado é citado e considerado como o primeiro vilão. E a decepção aumenta mais ainda quando este nosso rico país e que tem tudo para ser de primeiro mundo, patina sem sair do lugar com um pífio crescimento, dos mais baixos do mundo e sem conseguir ultrapassar a barreira dos 3% ao ano, também apresentando um IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) dos mais baixos da globalização social. E quando se sabe que a educação e saúde vão mal, a primeira pela desvalorização do profissional da ativa e pela baixa qualidade do ensino e esta pelos hospitais falidos, pelos baixos salários dos médicos e pelo sofrimento do povo que necessita ser atendido enfrentando intermináveis filas de espera.
Enfim, a conclusão a que se chega é de que aqui neste querido Brasil prevalecem, infelizmente, os ditos populares de que “quem pode mais chora menos” ou “salve-se quem puder”! Ora, o povo! O povo?.....O povo atrapalha, seria melhor se não existisse!
O autor, Joaquim Eliseo Mendes, é professor