Bagdá - O presidente deposto do Iraque, Saddam Hussein, será enforcado hoje antes das 6h da manhã, horário local, (1h da manhã em Brasília), informou um dirigente iraquiano ligado ao premiê Nuri al Maliki, que preferiu não ter o nome divulgado. A execução de Saddam Hussein é “iminente” e deverá ocorrer o mais tardar hoje, afirmou ontem Munir Haddad, juiz da Corte Suprema de Apelação do Iraque, tribunal que na terça-feira determinou que o ex-ditador fosse enforcado no prazo de 30 dias.
Suas declarações, pouco antes das 15h (hora de Brasília) coincidiram com informações contraditórias sobre quem estaria, naquele momento, com a custódia do ex-ditador. O porta-voz do Departamento de Estado, Tom Casey, disse em Washington, no final da tarde, que Saddam Hussein continuava em poder do comando americano em Bagdá. Mas Khalil Dulaimi, chefe dos advogados da defesa, era informado pelos próprios americanos que o ex-ditador havia sido entregue às autoridades iraquianas.
A execução é tarefa do Ministério da Justiça local. Pela manhã, Dulaimi foi contatado por militares dos EUA, que pediram para que ele providenciasse a retirada dos pertences pessoais de Saddam. Foi o primeiro indício de que o enforcamento estava bastante próximo. Horas depois um encontro entre Saddam e seus advogados era cancelado, “mesmo porque ele não está mais conosco”, disse um informante americano anônimo.
Mas o “Washington Post” afirmava à noite que o ditador deposto ainda estava em mãos dos EUA. Essas informações desencontradas podiam significar o recuo americano de última hora, para não entregar com antecedência o réu a um governo pouco confiável.
Pouco antes da meia-noite, em Bagdá, advogados de Saddam entraram com recurso num tribunal americano para impedir que seu cliente fosse entregue ao governo do Iraque. “Será na madrugada de sábado”, disse no final da tarde um dos advogados de defesa.
Saddam Hussein, 69 anos, foi ditador entre julho de 1979 e abril de 2003, tendo sido capturado pelos EUA em dezembro daquele ano. Foi condenado no último 5 de novembro, pela morte de 148 xiitas, em 1982, num dos episódios de genocídio pelos quais vinha sendo processado. Ele está preso em Camp Cropper, prisão de segurança máxima, localizada num setor do aeroporto de Bagdá sob controle militar americano.
O enforcamento poderá ocorrer nessa prisão ou então na Zona Verde, região de segurança máxima de Bagdá, ou ainda na prisão feminina de Kahdamiyah. O primeiro-ministro Nuri Maliki afirmou ontem que, depois da rejeição dos últimos recursos, o enforcamento ocorreria “sem maior demora”.
A emissora iraquiana de TV Al Hura, mantida pelos EUA, citou um assessor de Maliki ao informar que a execução “se dará dentro de apenas algumas horas“.
A polícia iraquiana e militares americanos reforçaram desde a madrugada de anteontem a segurança em Bagdá e em regiões com predominância sunita, grupo religioso do qual Saddam faz parte. As medidas procuravam evitar manifestações de revolta, tão logo o enforcamento fosse anunciado. O “New York Times” afirma que o momento da execução não seria previamente revelado, pelo temor de atos de violência.
Nowaffak Rubaie, assessor de segurança interna do governo iraquiano, disse que os jornalistas e câmeras de televisão não seriam convidados. O enforcamento, adiantou ainda, será registrado em vídeo, mas “é pouco provável” que as imagens sejam tornadas públicas.
Rubaie disse ao “Times”, de Londres, que o corpo do ex-ditador será sepultado num local sigiloso e que apenas no futuro o governo estudaria a possibilidade de entregá-lo à família. Disse ainda que serão divulgadas apenas fotografias do cadáver, para comprovar que o enforcamento ocorreu.
O presidente George W. Bush definiu anteontem um plano que aumenta em 20 mil o número de combatentes americanos no Iraque. Analistas acreditam que Bush considera pouco conveniente anunciar seu novo plano com o enforcamento de Saddam pairando como uma hipótese no ar.