Internacional

Maioria dos países critica a execução de ex-ditador

Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

Bagdá - A execução de Saddam Hussein provocou divisão semelhante à que marcou a invasão do Iraque, em 2003, que o tirou do poder após 24 anos de tirania: os países que apoiaram a ação, comandada pelos Estados Unidos sem o aval da ONU, aplaudiram; os que se opuseram lamentaram a aplicação da pena capital e manifestaram temor de que aumentarão as tensões no Iraque.

O presidente dos EUA, George W. Bush, que ordenou a invasão do Iraque, considerou a execução de Saddam “um marco importante”, mas reconheceu que ela não levará à pacificação do país.

“A execução de Saddam Hussein vem no fim de um ano difícil para o povo iraquiano e para nossos soldados. Trazer Saddam à Justiça não vai acabar com a violência no Iraque, mas é um marco importante na trajetória iraquiana para se tornar uma democracia”, disse Bush.

A reação da maioria dos países, contudo, foi de preocupação. A Rússia, que se opôs à invasão comandada pelos EUA, lamentou que a opinião mundial tenha sido mais uma vez ignorada.

O Vaticano ressaltou seu repúdio à pena de morte, apesar de reconhecer a culpa de Saddam. “Uma execução é sempre uma notícia trágica, motivo de tristeza, mesmo no caso de uma pessoa culpada de crimes graves”, disse o porta-voz da Santa Sé, Federico Lombardi.

O Reino Unido, principal aliado de Bush na campanha do Iraque, se dividiu entre aplausos discretos à execução e seu compromisso, como membro da União Européia, com a proibição da pena de morte. A posição oficial da UE foi reiterada pelo chanceler da Finlândia, que ocupa a Presidência do bloco. “A União Européia tem uma posição de oposição à pena capital”, disse Erkki Tuomioja.

As reações oficiais no Oriente Médio à execução de um de seus personagens mais polêmicos e odiados foram escassas. Manifestações populares também foram raras.

Em meio ao silêncio, a Líbia, do ditador Muamar Gaddafi, se destacou, ao decretar três dias de luto oficial. Nos territórios palestinos houve manifestações de tristeza isoladas. Desafeto da Casa Branca, Teerã elogiou o enforcamento de Saddam Hussein por motivos óbvios: o ditador comandou uma guerra sangrenta contra o Irã entre 1980 e 1988.

O Kuwait, invadido em 1990 pelo Iraque, lembrou os crimes de Saddam, mas disse que a execução era “assunto iraquiano”. A Índia, onde vivem mais de 100 milhões de muçulmanos (numa população de um bilhão), alertou para o risco de um surto de violência sectária ainda pior no Iraque. AIndonésia, manifestou a esperança de que o enforcamento de Saddam “não aumente a separação entre as partes em conflito”.

Comentários

Comentários