Madri - O grupo separatista basco ETA rompeu nove meses de trégua ao explodir, na manhã de ontem, um carro-bomba no aeroporto internacional de Madri. O ataque terrorista, que deixou 4 feridos, é uma derrota para o governo do social-democrata José Luis Rodríguez Zapatero, que insistia em negociar com o grupo, sob forte pressão da oposição. “É ETA e ETA, sem mais”, disse o ministro do Interior, Alfredo Pérez Rubalcaba.
O carro-bomba foi detonado às 9h (hora local) no novo terminal do aeroporto de Barajas, que se encheu de fumaça e teve de suspender as operações. Os demais terminais continuaram funcionando. Um telefonema anônimo a autoridades bascas, às 8h, avisou sobre um atentado iminente, sem especificar o local. Numa ligação após a explosão, a ETA (iniciais bascas de Pátria Basca e Liberdade) reivindicou o ataque.
Os jornais de ontem trouxeram uma entrevista em que Zapatero se dizia otimista em relação às negociações com a ETA, cujos ataques provocaram quase 900 mortes em 40 anos. Em novembro, o grupo ameaçara romper os contatos com o governo se não progredissem negociações com autoridades do País Basco sobre o futuro da região, que tem ampla autonomia constitucional.
Os separatistas também exigiam que o governo removesse prisioneiros do grupo para presídios perto de suas casas e reduzisse a pressão sobre integrantes da ETA ainda em liberdade. A ETA rompeu outras duas tréguas, nos anos 1990, mas sempre por meio de comunicados.