Há muito tempo, a palavra lar tem sido associada à idéia de conforto e segurança. Todo mundo sonha com uma casa própria, todos fazem planos para tornar a residência mais agradável, ninguém quer ficar sem um teto para viver.
Muitos não imaginam, porém, que lugar que protege e aconchega, também costuma esconder perigos enormes. Um pequeno tapete de pano, um reluzente degrau de mármore ou uma singela bacia cheia de produtos de limpeza são coisas com as quais as pessoas estão mais do que habituadas.
A presença desses objetos é tão constante na vida de todo mundo, que ninguém costuma atentar para o tamanho do risco que eles podem representar. Em geral, essa consciência só costuma vir quando é tarde demais. Nessas horas, o tombo já não pode mais ser evitado, a intoxicação já está consumada e a fratura vai demorar alguns meses para sarar.
Não é à toa que os acidentes domésticos são tão comuns e toda pessoa tem pelo menos uma história de tombo que seja para contar. Mas o que muita gente não sabe é que a maioria dos perigos pode ser evitada de maneira bastante simples.
Atitudes fáceis de serem executadas podem aumentar, e muito, a segurança e o conforto de uma residência. O Serviço Social da Indústria (Sesi), inclusive, editou uma cartilha, denominada “Moradia Segura”, com dicas sobre como tornar uma casa menos sujeita aos perigos do cotidiano. Em Bauru, a entidade está distribuindo exemplares ao 267 participantes de três grupos da terceira idade que ela mantém na cidade.
O projeto, voltado para o público idoso, não é inédito no Brasil. Diversas iniciativas semelhantes vêm sendo divulgadas há anos, em vários lugares. Tanta preocupação com relação à segurança da moradia do idoso não é gratuita, já que, de uns tempos para cá, a participação das pessoas com mais de 60 anos no total da população tem aumentado mais e mais.
Segundo um dossiê elaborado por pesquisadores da Universidade do Sagrado Coração (USC), o número de idosos residentes em Bauru registrou um salto de 150%, entre 1980 e 2005. No mesmo período, a quantidade total de habitantes teve crescimento de, aproximadamente, 87%.
Hoje, existem, aproximadamente, 38 mil idosos vivendo na cidade, em moradias das mais variadas condições. É um número surpreendente e, ao mesmo tempo, preocupante: são quase 40 mil pessoas que já não têm a mesma agilidade e a força muscular do passado, estando, portanto, mais sujeitas a quedas de todo tipo.
Mesmo os mais cuidadosos já tiveram a oportunidade nada agradável de levar um tombo dentro de casa. Há três anos, a funcionária pública aposentada Darcy Leite, 64 anos, moradora do Jardim Bela Vista, escorregou e caiu, enquanto lavava uma barraca de camping, logo após chegar de uma viagem à praia.
O pior é que, quando as pessoas atingem uma determinada idade, os acidentes domésticos costumam trazer graves conseqüências.
A aposentada Therezinha de Carvalho Popoffi, 78 anos, convive há seis anos com três centímetros a menos em uma das pernas, resultado de uma fratura no fêmur ocorrida após um escorregão.
O algoz da aposentada foi um objeto aparentemente inofensivo: um pequeno tapete que estava solto no meio da sala da casa do irmão. Se, na época, ela e a família tivessem tomado algumas precauções com relação à segurança do lar, certamente o tombo não teria acontecido.
Mas ocorreu. Aliás, todos os dias, centenas de idosos de Bauru e do restante do País sofrem os mais diversos tipos de acidentes dentro da própria casa.
E não são apenas eles. Adultos, deficientes físicos, crianças e até mesmo animais estão expostos a incontáveis riscos e obstáculos, justamente no local onde deveriam estar mais protegidos. Aos poucos, as pessoas vão se dando conta de que o perigo não mora ao lado. Ele está dentro do próprio lar doce lar da vítima.