Bairros

Para especialistas, brasileiros não estão preparados para envelhecer

Rodrigo Ferrari
| Tempo de leitura: 2 min

Apesar do rápido crescimento registrado pela população idosa nos últimos anos, as casas brasileiras ainda não se adaptaram à nova realidade demográfica do País.

Essa é a opinião de profissionais e especialistas consultados pelo Jornal da Cidade. A arquiteta carioca Cybele Barros é uma das pioneiras no conceito de moradia segura para a terceira idade.

Ela desenvolveu um projeto, em 1999, em parceria com a Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT), voltado para a prevenção de acidentes domésticos nas residências de idosos, que depois deu origem a um livro entitulado “Casa Segura”.

Na opinião dela, os brasileiros não têm consciência de preparar uma residência para o futuro. “As pessoas se esquecem de que um dia vão ficar velhas e enfrentar limitações de mobilidade”, diz. Na opinião de Barros, as construções brasileiras costumam seguir normas ruins, ditadas por regras puramente mercadológicas.

“O ideal, por exemplo, seria que todos os imóveis tivessem portas largas, e corredores com amplas áreas de circulação. Mas o que ocorre é o contrário. Os construtores diminuem o tamanho de tudo para economizar em material”, diz.

Por outro lado, lembra a arquiteta, muitas das adaptações que poderiam deixar as casas dos brasileiros mais confortáveis e seguras não estão disponíveis à maioria das pessoas.

A chefe do Centro de Atividades (CAT) do Serviço Social da Indústria (Sesi) de Bauru, Rosemary de Andrade dos Santos, concorda com Barros. “Em geral, intervenções e reformas costumam custar bastante caro. O ideal seria que os imóveis já viessem preparados para receber os idosos”, afirma. Na visão de Santos, a terceira idade ficou relegada a um segundo plano no Brasil devido ao fato de o envelhecimento da população ser relativamente recente.

Apesar de reconhecerem que a maioria das pessoas enfrenta limitações financeiras, parte dos arquitetos lembra que algumas adaptações essenciais para o bem-estar dos moradores de uma casa podem ser feitas sem necessidade de grandes somas em dinheiro.

“Hoje em dia, muitos profissionais conseguem elaborar projetos adequados à realidade financeira de cada cliente. Com poucos recursos, é possível se fazer trabalhos satisfatórios”, acredita Edmilson Queiroz Dias, professor da Universidade Estadual Paulista e coordenador do curso superior de arquitetura e urbanismo da Universidade Paulista (Unip).

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