São Paulo - Após deixar a prefeitura da maior cidade do País com apenas um ano e três meses de mandato, o economista e ex-senador José Serra (PSDB), 64 anos, assume hoje o governo de São Paulo com o objetivo de pavimentar o caminho rumo ao Palácio do Planalto. Até as eleições presidenciais de 2010, contudo, o tucano terá de mostrar ao País se os paulistas, acuados em 2006 por ataques do crime organizado, rebeliões e chacinas, estarão mais seguros daqui a quatro anos.
Na opinião de especialistas, cientistas políticos e sindicalistas, mudar o perfil da área da Segurança Pública poderá garantir a Serra a credencial necessária para a disputa à sucessão do presidente Lula.
Mesmo com a redução de 51,5% nos homicídios entre 2001 e 2006 e os últimos três meses sem registros de novas ações arquitetadas pelo Primeiro Comando da Capital (PCC), São Paulo ainda convive com uma população carcerária de mais de 130 mil presos sob controle precário do Estado. Celulares continuam nas mãos de detentos que organizam, do lado de fora das cadeias, uma rede de contatos responsável por movimentar o dinheiro gerado com seqüestros e assaltos a bancos.
Por outro lado, a maior parte dos 125 mil policiais civis e militares continuam despreparados e sem infra-estrutura para evitar um novo ataque inesperado às forças de segurança do Estado, na avaliação de especialistas. “O sistema de inteligência das polícias paulistas não funciona. Hoje, as corporações Civil e Militar, o Ministério Público, o Judiciário, todos têm bancos de dados e não cruzam informações entre si”, criticou o promotor Guaraci Mingardi, pesquisador do Instituto Latino-Americano das Nações Unidas para Prevenção do Delito e Tratamento do Delinqüente (Ilanud).
Outro desafio de Serra será reduzir um índice que coloca o ensino básico da rede estadual de ensino entre os piores do país: 30% dos alunos chegam à 4.ª série com dificuldade em ler e somar, segundo o Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica (Saeb), do Ministério da Educação. “O único jeito é investir na qualificação dos docentes envolvidos no processo de alfabetização e colocar, como planeja o próprio Serra, um estagiário para ajudar nas aulas da 1.ª série”, considera Silvia Terzi, do Instituto de Estudos da Linguagem da Unicamp.
José Serra sairá de casa por volta das 14h20, em comboio, rumo à Assembléia Legislativa, onde será feita a sessão solene de posse. Após a cerimônia, Serra fará o primeiro discurso como governador e seguirá ao Palácio dos Bandeirantes, onde Cláudio Lembo lhe transmitirá o cargo às 16h30. A solenidade ocorrerá no auditório do palácio, num evento organizado para 2 mil pessoas.