Guardadas as devidas proporções, a casa de alguém que vive há muito tempo em um mesmo lugar tem, para o morador de um bairro, o mesmo valor histórico que o lar de algum personagem famoso (escritor, político, militar, tanto faz). Um caso bem típico é casa de João Benício Sobral, 71 anos, na Vila Dutra (zona noroeste da cidade).
Nela tudo é marcante, a começar pelo fato dela não seguir a arquitetura padronizada típica dos conjuntos habitacionais. A explicação para isso é simples: o imóvel foi erguido antes mesmo do núcleo ser construído.
Sobral comprou o terreno no final dos anos 60 e foi edificando a moradia por conta própria. Hoje ela tem um grande quintal (maior do que o das demais residências do bairro) e mais parece uma chácara (até um cavalo vive no local).
Todo mundo na vila sabe que aquela casa de esquina, com as paredes sem reboco e rodeada por uma cerca de madeira, pertence ao “seo Pernambuco” apelido herdado dos tempos em que Sobral, nascido em Queimada de Jurema, trabalhou como soldador na Rede Ferroviária Federal.
Exemplos semelhantes podem ser encontrados em outras partes da cidade. Na Vila Souto (região oeste de Bauru), em meio a tantas casas de madeira, a de Aparecida Neide Toneti Tosi, 70 anos, merece atenção especial. Não porque tenha algum detalhe arquitetônico extraordinário. Ocorre que o lar onde ela vive foi transportado (isso mesmo) de um local para o outro.
“Essa casa foi construída pelo meu pai, quando eu tinha 7 anos”, conta ela. Originalmente, o imóvel ficava na rua Campos Sales, Vila Falcão. Aparecida viveu durante um bom tempo no local, até que um dia, há 49 anos... “Me casei e precisava de um lugar para morar”, lembra.
O pai já havia construído uma outra residência para si, maior, de alvenaria, em outra parte do bairro. “Eu e meu marido (o funcionário público aposentado Oduvaldo Tosi, hoje com 71 anos) possuíamos este terreno na Vila Souto e resolvemos trazer a casa para cá”, diz Aparecida.
Mas que fique bem claro: o casal não usou nenhuma técnica mirabolante para carregar a casa até o novo endereço. “Apenas desmontamos e erguemos de novo”, explica ela. Na época, eles não tinham dinheiro para comprar material novo.
Em todo caso, hoje ela se alegra por haver preservado um local que marcou parte de sua infância. “Essa casa é muito importante para mim. Minha irmã caçula nasceu nela (quando a residência ainda estava na Vila Falcão)”, conta.