Na medida em que as pessoas vão ficando velhas, passam a necessitar de mais cuidados. Para aqueles, cujos filhos moram longe, surge um verdadeiro dilema: ou o idoso abandona os vizinhos e amigos com quem convive há várias décadas ou abre mão de estar próximo aos filhos.
A questão, aparentemente insolúvel, já está resolvida na cabeça da maioria das pessoas que se enraizaram em determinados bairros da cidade: eles não trocam o lugar onde vivem por nada. O aposentado João Benício Sobral, 71 anos, mora na Vila Dutra, é pai de oito filhos e avô de muitos netos.
Todos vivem longe dele. Sobral até gosta do convívio com os filhos, mas morar perto deles, nem pensar. “Estou acostumado neste lugar”, diz. Ele é um homem apegado à coisas antigas. O chapéu preferido, que não tira por nada, tem pelo menos 20 anos de idade.
O amor de Sobral ao passado se manifesta inclusive no meio de transporte usado por ele. O aposentado possui uma charrete, com a qual ele se desloca pelas ruas do bairro. “Uso para visitar meus amigos e para ir ao bar”, explica. A única coisa nova que ele possui é o cavalo, adquirido há poucos meses. “É que meu burro velho (que tinha quase 20 anos de idade e se chamava He-Man) morreu”, diz.