Há aproximadamente 30 anos, a rua Felicíssimo Antônio Pereira era uma vibrante via de mão dupla que concentrava os principais pontos comerciais da Vila Independência. Naquela época, uma grande fábrica de alimentos (a Bunge, que funcionou durante quase 70 anos no lugar) estava em plena atividade no bairro. Por conta disso, as ruas da vizinhança viviam sempre lotadas de gente.
O comerciante Massato Yanaba, 58 anos, é nascido no lugar e lembra com nitidez a época gloriosa da Vila Independência. “Aqui era a antiga saída para Piratininga. Passava carro a toda hora”, diz.
O agito durou por muito tempo, mas como em economia nenhum período de euforia dura para sempre, um dia o ciclo de alta acabou; a Bunge foi reduzindo as atividades no bairro até finalmente fechar.
Esse foi um dos fatores (o principal, na opinião de Yanaba) para que o comércio da região entrasse em decadência. Mas houve outros, observa ele. “A avenida Castelo Branco começou a crescer, daí os comerciantes decidiram se mudar para lá”, analisa.
Yanaba é um dos poucos que ainda não abandonou a parte baixa do bairro. Ele é dono de uma auto-elétrica que funciona há mais de 20 anos no mesmo local. O comerciante lembra que mesmo o supermercado, que antigamente havia na região, nunca mais voltou a funcionar.
“O primeiro mercado do bairro foi o Oriental. Ele pertencia à família da minha esposa (Midori Yanaba, 55 anos), depois foi comprado pela rede Santo Antônio (já desativada), 40 anos atrás, e por fim acabou fechando, para nunca mais reabrir”, conta.
Hoje em dia, o prédio está abandonado e se tornou uma verdadeira imagem do retrocesso enfrentado pelo comércio do bairro nas últimas décadas. Apesar da decadência que hoje impera na região, Yanaba considera as mudanças normais. “O comércio é assim: está sempre em busca de avenidas novas e largas, como a Castelo Branco, para poder funcionar”, pensa.