Economia & Negócios

Indústria faz 5,8 milhões de remédios

Luiz Galano
| Tempo de leitura: 3 min

Após quatro anos desativado, o Laboratório Farmacêutico Santisa voltou a operar em Bauru no início do ano passado e produz atualmente 5,8 milhões de unidades de medicamentos por mês, entre injetáveis, comprimidos, cápsulas, gotas e líquidos. A intenção da empresa é dobrar a fabricação a partir de fevereiro, depois de equalizar o quadro de funcionários, visando inclusive o mercado externo.

Toda a produção do laboratório é vendida a hospitais. A Santisa funcionou durante 25 anos sob o comando da Irmandade Santa Casa de Misecórdia em janeiro de 2006, foi adquirida por quatro empresários de Bauru em parceria com um grupo farmacêutico de Sorocaba.

O centenário prédio localizado na quadra 6 da rua Monsenhor Claro, que ainda pertence à Irmandade, precisou ser totalmente reformado para que as atividades pudessem ser retomadas pela Santisa, segundo o diretor comercial da empresa, Arnaldo Bernardes.

“O investimento foi grande. Todo o interior precisou ser reformado para que nos enquadrássemos às normas da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), além da aquisição de equipamentos”, conta, sem revelar números.

A produção começou em julho do ano passado, mas a fabricação não está na capacidade máxima da empresa. “Trabalhamos com 50 funcionários, 25 antigos contratados da própria Santisa e outros 25 que nós mesmo treinamos. A intenção é dobrar o quadro dentro de 60 dias”, aponta Bernardes.

Ele conta que encontrou dificuldade em achar mão-de-obra especializada na região. “Apesar de contarmos com duas instituições que ministram curso de farmácia em Bauru, a ênfase maior é dada à área de manipulação e não à industrial”, diz.

O empresário revela que o retorno ao mercado foi satisfatório. “O nome e o respeito adquiridos pela Santisa fizeram a diferença. Os clientes antigos até mesmo comemoraram a volta. Além disso contamos com representantes comerciais espalhados por todo o país”, afirma.

A empresa fornece medicamentos com distribuição institucional, apenas para hospitais. De acordo com Bernardes, a Santisa disponibiliza remédios para quase todas as instituições do Brasil. “Estamos em quase todos aqueles que são considerados de referência. Em Bauru, fornecemos literalmente para todos.”

A intenção dos dirigentes, após a equalização do quadro de funcionários, é dobrar a produção, passar a realizar vendas também no varejo e, posteriormente, exportar. “A demanda é muito grande. Hoje precisamos dobrar o turno de trabalho para dar conta do mercado nacional para só depois pensar no Mercosul”, alega Bernardes, um dos sócios da empresa, juntamente com José Luiz da Silva, Vanessa Giacomini, Francisco Tadeu Ferro e o Grupo Aster.

Hoje, mensalmente, são fabricados em média 1,76 milhões de medicamentos injetáveis, 3 milhões de comprimidos, 1 milhão de cápsulas, 50 mil unidades de remédios líquidos (como xaropes) e 50 mil frascos de medicamentos em gotas, segundo Bernardes.

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Prédio histórico

Com 3 mil metros quadrados de área construída, o prédio onde funciona a Santisa foi erguido no início do século 20 e já tem mais de 90 anos. Parte da área externa e uma capela próxima ao prédio principal são áreas tombadas pelo Conselho Cultural de Defesa do patrimônio Cultura (Codepac) desde o início de 2004.

Antes de ser reativado pela iniciativa privada, a Irmandade Santa Casa de Misericórdia de Bauru tinha planos de transformar as instalações, onde hoje funciona o laboratório, em uma creche para atender 200 crianças gratuitamente.

O prédio abrigava a Santa Casa de Misericórdia, entidade filantrópica fundada em 1912 pelo primeiro juiz de direito de Bauru, Rodrigo Romero. Ela funcionou como hospital até 1978, quando parte do terreno foi desapropriada pelo governo do Estado e usada para erguer o Hospital de Base.

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