Regional

Municípios decretam calamidade

Thatiza Curuci
| Tempo de leitura: 4 min

Pelo menos dois municípios da região foram arduamente castigados pela chuva que não dá trégua há oito dias. Pongaí decretou estado de calamidade pública ontem e Reginópolis o faria hoje. Nas cidades e na zona rural, rios e córregos transbordaram, pontes caíram deixando bairros sem acesso e famílias ficaram desabrigadas. Getulína e Lins também enfrentam problemas com a chuva.

Em Reginópolis, o dia de ontem foi de muito trabalho para as 30 famílias do bairro Marajá que ficaram desabrigadas. O nome do bairro parecia uma afronta aos moradores. Com vassouras, pás e baldes de água, eles tentaram recuperar algum objeto em meio à lama. A maioria está abrigada desde anteontem na Escola Municipal Regina Olinda Martins Ferro.

Anteontem, a chuva forte fez o córrego Corredeira, que circunda o bairro, transbordar. As casa próximas do riacho foram as primeiras a ser atingidas.

Marta Luísa do Nascimento foi socorrer a mãe, que mora na parte baixa do bairro, mas não esperava que sua moradia também fosse atingida pela água. “Quando voltei para casa, já tinha água por todos os lados. O berço onde estava o meu bebê estava boiando. Assustei com o que aconteceu”, relata.

Ela está abrigada na escola desde anteontem e voltou ontem de manhã ao bairro para verificar como estava a casa. “Não tenho lugar para ir, mas já decidi que para lá eu não volto mais. Tem rachaduras na parede. A casa ficou balançando e tenho medo que caia”, preocupa-se.

A doméstica Maria de Fátima Maia também decidiu ir embora do bairro. “Vou morar com a minha filha”, diz. Enquanto varria a lama para fora de casa, ontem de manhã, lembrava-se do alagamento. “Foi de uma hora para outra. Quando percebi, meu cachorrinho estava nanando e pedindo colo. Perdi tudo, inclusive um sofá que tinha comprado há pouco tempo e pago apenas uma prestação”, conta.

A vendedora Shirlei Marcelino morava no mesmo bairro e também teve a casa alagada. “Perdi até as roupas e bijuterias que tinha em casa para revender. Não sei o que vou fazer daqui para frente”, afirma. A filha, Thaís Cristina da Silva, e o genro, Gilmar Mariano dos Santos, foram ajudar na limpeza da casa. Thaís acabou se machucando e precisou enfaixar o braço. “Caí porque a quantidade de lama é grande no meio da rua e nas casas”, aponta.

O prefeito de Reginópolis, Cláudio Undicliatti, confirma que não houve rompimento de açudes, mas o rio Batalha e córrego Corredeira transbordaram. As famílias desabrigadas receberam auxílio da prefeitura e da população. “Os desabrigados estão recebendo alimentos e ajuda de doação de roupas e calçados”, conta.

Na cidade, a Defesa Civil registrou queda de aterros nas estradas vicinais que ligam Reginópolis aos municípios de Uru e de Avaí. Mas o diretor de obras da cidade, Nadir Navarro de Freitas, previa que até a tarde de ontem a passagem seria reestabelecida. O problema continuaria na zona rural. “Acreditamos que cerca de 15 pontes caíram na zona rural”, diz. Em estimativa preliminar, Freitas acredita que os prejuízos na cidade cheguem a R$ 1 milhão.

Em Pongaí, não houve registro de famílias desabrigadas, mas a chuva também causou transtornos. O principal deles é que dois poços que abastecem a cidade romperam-se e os moradores ficaram sem água ontem.

As águas do córrego Saltinho invadiram uma casa, mas não houve necessidade de retirar os moradores. Houve também registro de queda de cabeceira de uma ponte na entrada da cidade, no acesso da rodovia Américo Augusto Pereira (SP-333).

A força da água quebrou 10 pontos que ligam os bairros rurais à cidade. A cidade decretou estado de calamidade pública. Segundo o procurador jurídico da prefeitura de Pongaí, Eduardo Luiz Penariol, o Município vai precisar de verbas do Estado para reconstruir as pontes.

Em Lins, também houve o transboramento de um rio e uma casa desabou ontem. Os moradores tiveram que se mudar para a residência de parentes. Ninguém ficou ferido. Em Getulina, o rio Gavamberi transbordou, o que resultou na inundação de residências do bairro Sapolândia. Famílias da cidade estão alojadas na Escola Municipal João Leonel Berbeti.

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Calamidade

O decreto de calamidade pública permite que o governo estadual faça compras sem licitações para atender a um desastre classificado em níveis três e quatro. Segundo a Defesa Civil, desastre de nível três é de grande porte com prejuízos vultosos, mas suportáveis e superáveis pela comunidade.

O de nível quatro é de muito grande porte e com muitos prejuízos à comunidade, que precisa de apoio de fora para superá-los.

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