Política

Entidades vão pressionar Câmara contra projeto

Gustavo Cândido
| Tempo de leitura: 2 min

O plenário lotado da Câmara Municipal ontem à noite foi palco de uma cerimônia de rejeição à proposta do prefeito Tuga Angerami (sem partido) de unir a Secretaria Municipal de Agricultura e Abastecimento (Sagra) com a Secretaria de Desenvolvimento Econômico. A medida, que cria uma nova pasta, a Secretaria de Agricultura, Comércio, Indústria e Serviços, foi anunciada pelo secretário de Desenvolvimento Econômico Wallace Garroux Sampaio durante a audiência pública convocada para discussão do assunto.

O que se seguiu ao anúncio de Sampaio, que representou o prefeito na audiência, foi uma série de manifestações dos representantes de entidades rurais, agricultores, feirantes e também de vereadores presentes contra a extinção da Sagra. Nenhum ponto ficou sem crítica. O presidente do Sindicato Rural de Bauru, Maurício Lima Verde, questionou a razão da medida, que, para ele, foi um “fato político” que não traz vantagem alguma para o setor e interrompe um trabalho que estava sendo bem administrado. A demora para o funcionamento efetivo da eventual nova secretaria também foi levantada pelo presidente do sindicato.

Lima Verde também questionou a possível economia que a extinção da Sagra representaria. “Ninguém vai acreditar que a prefeitura vá economizar sabendo que a Secretaria da Agricultura consome apenas metade de um porcento do todo o orçamento”, disse Lima Verde, que foi muito aplaudido pelos presentes.

A ex-secretária da Sagra, Maria Eugênia Gracia, confirmou o ponto de vista de Lima Verde, dizendo que a fusão das secretarias não traria economia alguma. Gracia também fez um curto resumo do seu período à frente da Sagra, salientando a importância do setor para o munícipio e o trabalho de estímulo à agricultura familiar.

A decisão do prefeito também foi muito criticada pelo caráter impositivo, citado pelo agronômo Aloísio Costa Sampaio. “Faltou reflexão, debate, foi uma posição unilateral que eu vejo como um retrocesso”, definiu, afirmando que a secretarias deveriam ser fortalecidas ao invés de extintas.

Representantes dos agricultores e dos feirantes lembraram ainda que o prefeito, em seu plano do governo, havia prometido incentivar o setor e demonstraram indignação com o que foi chamado de “apunhalada nas costas”. A vereadora Majô Jandreice (PC do B) e seu colega José Carlos Batata (PT) pediram ao prefeito a revisão da medida e afirmaram que resistirão quando a questão tiver de ser decidida na Câmara. Os dois foram seguidos por outros vereadores que, em discursos mais contidos ou mais inflamados, repetiram os pedidos e as críticas.

A opinião geral dos presentes ao final da audiência era de que a Sagra não deveria ser extinta, muito menos diluída junto a outras secretarias. Como, apesar dos protestos, a medida do prefeito não deve ser revista, a intenção dos representantes de entidades rurais e agricultores é se mobilizar para evitar a aprovação do projeto de lei que o Executivo deve enviar à Câmara para ratificar a junção das pastas.

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